Visitando o Blog Nosso Planeta, do grupo O Globo e de autoria da bióloga Nurit Bensusan, li o post “Tomar leite, uma característica humana?” e me lembrei de um tópico do livro “Mamãe eu quero – um guia prático de alimentação para crianças de todas as idades”, da escritora Sonia Hirsch e que falava justamente sobre o consumo de leite após nossa vida infantil. Li este livro há 2 meses e queria muito já ter feito um (ou mais, pois o livro é enriquecedor) posts sobre os temas lá tratados… Enfim, coincidências a parte, hoje posso postar então sobre nossa saúde relacionada ao consumo de “leite não humano” após a infância.

Você já ouviu alguém dizer “eu tenho certa intolerância à lactose” ? Pergunto porque eu mesma frequentemente falo isso, da tal intolerância. Meus pais  sempre se queixaram dela e assim cresci numa família em que reflexionávamos sobre a intolerância à lactose (que é o açúcar natural presente no leite) achando que poderia ser uma falha no nosso organismo (já que cada corpo tem um metabolismo diferenciado) ou até uma questão genética ligada à raça, já que minha mães descende de alemães e meu pai é oriental e o organismo de orientais tem dificuldade para processar certas substâncias, como o álcool por exemplo.

Recentemente, apesar de já consultar médicos endocrinologistas há muitos e muitos anos, eu descobri que a lactose é um “açúcar três vezes mais doce que o leite humano”. Já pensaram? E como o açúcar que ingerimos é digerido? Através de enzimas digestivas produzidas pelo nosso pâncreas, certo?! Sim! E para o o pâncreas digerir essa lacotese ele produz então uma enzima chamada LACTASE. Para Sonia Hirsch o consumo de leite de vaca para os adultos pode ser o responsável por “mau funcionamento do intestino, formação contínua de gases, alegria na pele, fígado funcionando esquisito, peito encatarrado, sensação de cansaço e vista fraca”. Ela sintetiza assim:

“Na maior parte do planeta você só produz essa enzima (a lactase) até, no máximo, 7 anos de idade. Daí para frente a natureza acha que você já pode se virar sem leite, afinal já tem todos os dentes”. Com bom humor e às vezes certa ironia, Sonia tenta comprovar e mostrar ao leitor que o consumo de leite para obteção de cálcio (a maior justificativa) é desnecessária e que este pode ser obtido em outros alimentos como “folhas verde-escuras da mostarda, da couve, da salsa, das algas-marinhas, do gergelim, da castanha-do-pará, de alguns chás como o chá verde, de folhas de nabo, trigo sarraceno, queijo de soja, grão de bico, seja verde, feijão, melado de cana” e outros alimentos.  E ainda aponta uma tabela siginficativa que, aqui entre nós, estou seguindo a risca aqui em casa e feliz da vida:

100 gramas de leite humano = 35mg de cálcio

100 gramas de leite de vaca = 118mg de cálcio

100 gramas de queijo de soja = 128mg de cálcio

100 gramas de salsa/salsinha = 203 mg de cálcio

100 gramas de gergelim = 1160mg de cálcio

100 gramas de alga kombu = 800mg de cálcio

Agora voltando ao Blog Nosso Planeta, cujo post me estimulou a produzir essa discussão sobre o leite… lá a bióloga Nurit explixa que “a persistência (continuidade) da lactase (a enzima que degrada o açucar contido no leite, a lactose) na idade adulta é comum entre as pessoas de ascendência européia, mas, com exceção de alguns outros grupos africanos, do Oriente Médio e do sul da Ásia, não existe no resto do mundo”, como também defende Sonia Hirsch e fato que me leva a acreditar que o meu pensamento sobre a origem japoensa tinha total nexo.

“Quem não possui a lactase na idade adulta é intolerante à lactose e não consegue digerir o leite. Houve casos, por não se dar conta disso, onde iniciativas de ajuda humanitária redundaram em fracasso por distribuirem basicamente leite em pó para populações intolerantes à lactose”.

“O mais interessante, porém, é que o caso do surgimento da persistência da lactase como uma característica comum em algumas populações humanas está vinculado à domesticação dos animais e ilustra a coevolução gene-cultura. Há uma forte correlação entre a incidência dos genes para absorção de lactose e a história da criação de gado leiteiro, o que levou a hipótese de que essa atividade tenha criado uma pressão seletiva que fez com que os genes responsáveis pela persistência da lactase se tornassem comuns em comunidades pastoris”. Já pensaram nisso? Como a evolução humana e com isso a evolução do organismo humano é totalmente vinculada ao meio em que se vive… Adorei.

Mais? Acaba de ser publicado um artigo mostrando que a persistência da lactase teve origem entre as populações da Europa Central, há cerca de 7.500 anos. Antes acreditava-se que essa persistência teria tido origem no norte da Europa como uma estratégia para aumentar o consumo de vitamina D em locais onde há pouco sol. Leia mais se tiver tempo.

Para finalizar, se você conseguiu ler todo o meu post, imagino que pode ter ficado impressionado com os malefícios que o leite de vaca consumido no seu dia-a-dia de adulto pode lhe acarretar, eu reagi assim :( Mas aí também levemos em consideração pensar que morrer disso ninguém morreu e quem tem a intolerância diagnosticada desde bebê, por exemplo (que aliás é assunto para outro post) já evita o produto e aprender a limitar o consumo de alimentos e realizar uma dieta rica e equilibrada sem expor-se a ele, o leite. Sei que ele é gostoso, quentinho então… hum… com canela e mel, nossa! Ou mesmo numa misturinha com café, de manhã cedo ou antes de deitar, não há nada melhor. Inclusive, há até quem defenda que faz bem, estimulando o cérebro ao raciocínio lógico, por exemplo, como dito em um Globo Repórter, da Rede Globo. Bem ou mal a gente sabe da origem dos alimentos que comemos e principalmente, querendo ou não, estamos sempre recebendo informações sobre os malefícios ou benefícios da cada alimento, podendo optar por ingerir ou não e assim sacrificar ou preservar nosso corpo. A escolha é nossa. O legal é fazer o que estou a fazer aqui, passando o assunto adiante para que a reflexão chegue a outros lares também!

Se for adepto de alimentação vegetariana, macrobiótica ou seguir uma linha mais natureba, fácil. Senão, boa sorte. Eu, confesso, estou tentando escapar do leitinho :)

Related Posts with Thumbnails

5 Responses so far.

  1. Leite? Só de mãe e quando bebê. Adulto não precisa… (via @blogdati) http://bit.ly/uOBWH

  2. [...] dia minha irmã Tiffany escreveu em seu blog um verdadeiro tratado com suas leituras sobre intolerância à lactose. Partindo de nossa experiência familiar, no qual pai e mãe têm o [...]

  3. ÂNGELA disse:

    GOSTEI MUITO DOS ESCLARECIMENTOS POIS HÁ ALHUM TEMPO ESTOU APRESENTANDO INTOLERÂNCIA E COMO OS MEDICOS NÃO EXPLICAM DIREITO, TODA INFORMAÇÃO É SUPER VÁLIDA. OBRIGADA!!!

    Tiffany Reply:

    Puxa Angela, fico feliz por ter ajudado de alguma forma. As vezes a gente se bate um pouco com as explicações enroladas dos médicos, você tem razão. Sempre que eu descobrir mais sobre o tema, trarei aqui.
    Volte outras vezes. Um abraço. Tiffany

  4. [...] do cardápio infantil, como defende  Sonia Hirsch* nutróloga que respeito e de quem já postei aqui*, eles são práticos e inúmeras vezes o que toda mãe precisa é praticidade, especialmente quando [...]

Leave a Reply





Sponsors

Switch to our mobile site