Gravidez precoce pode ser resultado de stress ou insegurança familiar #euli
Eu li hoje um rápido artigo da Revista Veja que, com base em pesquisa realizada por equipe de psicólogos da Newcastle University, apontava o fator instabilidade familiar como uma das causas para a gravidez precoce em adolescentes. Assim como em outros estudos, já publicados, fala-se que meninas criadas em lares instáveis acabam entrando na puberdade antes da média, o que acabaria estimulando a vida sexual precoce e, no caso de descuido, a gravidez na adolescência.
Me pergunto se isso realmente tem sentido? Quais seriam os outros componentes para essa realidade?
Certamente meninas e jovens com uma vida familiar conflituosa e em desarmonia – e eu conheço pessoalmente casos assim – tendem a querer sair de casa mais cedo e desejam, assumidamente ou então em seu íntimo, formar sua própria família em que caiba a elas o papel de nutrir, amar e cuidar dos filhos e marido da forma como elas desejavam terem sido criadas. Penso aqui em sonhos e carência afetiva. Isso levaria (e leva) muitas moças a assumirem como ideal de vida um primeiro relacionamento amoroso e investir nele com todas as fichas para sair da casa dos pais e mudar seu panorama de vida.
O início das novas e jovens famílias, fruto da gravidez na adolescência, me parece caso certo nestas situações em que falta amor, tolerância, respeito, interesse, dedicação e diálogo, mas quais outros exemplos de ambiente de stress e insegurança favorecem isso? A pesquisa, rapidamente referenciada na matéria, não me deixou satisfeita por não ter ampliado estes contextos, mas ainda assim achei pertinente e acredito que este assunto é passível de discussões e análise porque as estatísticas brasileiras sugerem que é crescente o número de meninas-mães com 12, 13, 14, 15 anos em diante, idade que, em tese, ainda deveriam estar se despedindo das bonecas e sonhando estudar e não assumindo a responsabilidade de uma família.
Segundo o psicólogo responsável pela pesquisa, Daniel Nettle, o stress e a insegurança no início da vida das jovens podem acabar resultando na gravidez precoce sim.
“O dado mais interessante é que se a garota é separada da mãe de seis a 24 meses nos primeiros cinco anos de vida, ela provavelmente irá engravidar cerca de dois anos mais cedo que a média. Mas, se essa separação é superior a dois anos, é como se elas não tivessem se separado”, explica Nettle.
Quando as meninas são separadas do pai, no entanto, a gravidez acontece apenas um ano mais cedo do que a média de 24 anos, de acordo com o estudo. (Fonte: revista Veja)
Para chegar aos resultados da pesquisa publicada no periódico Proceedings of the Royal Society B, os psicólogos avaliaram 4.553 mulheres nascidas na mesma semana de março de 1958. Dessas, 500 haviam sido separadas da mãe quando bebês por, no mínimo, seis meses – todas essas tiveram filhos por volta dos 22 anos.
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