Filhocentrismo: tudo por eles e só para eles
Filhocentrismo, você já ouviu falar a respeito?
Provavelmente você conhece algum caso ou até está a beira de praticá-lo.
Veja se reconhece exemplos como estes… a mãe vai ao shopping, não resiste e traz um brinquedo novo para o filho ainda que não seja nenhuma data especial; o pai sacrifica a evolução da própria carreira mas não deixa de pagar todas as aulas extras para o futuro promissor do filho; o casal que nunca vai ao cinema, um bom restaurante ou barzinho sozinhos a fim de animar o casamento porque o filho pode precisar deles em casa ainda que bem assistido pela babá ou ainda; aqueles que desviam dos brinquedos espalhados pelo chão da casa toda, inseguros e cuidadosos, mas evitam o confronto com os filhos pela pirraça ou pelo desejo de não lhes tolir a liberdade do brincar à vontade.
Eu não conhecia isso como forma de educar (ou deseducar) e de amor (ou desamor) até ler um post do Portal Mãe com Filhos, texto esse que indico, pois ficou bastante rico e nos remete à reflexão, ato dos mais importantes quando o assunto é educar nossos filhos e prezar pelo bem estar de nossas famílias.
Fundamentado na obra da filósofa e mestre em educação Tania Zagury, autora dos livros Limites sem Trauma – Construindo Cidadãos, Escola sem Conflito: Parceria com os pais e Os Direitos dos Pais – Construindo Cidadãos em Tempo de Crise, @maecomfilhos abordou a importância de práticas que andavam esquecidas na educação dos filhos, sinalizando a necessidade de serem resgatadas em nome do futuro do próprio jovem e da sociedade.

Aqui entre nós fiquei boquiaberta com a idéia, mas ao mesmo tempo animada com a discussão, com a reflexão e claro, com a ânsia de fazer o certo e nunca errar, hahaha. Deleito-me rindo por alguns segundos, pois como se isso – nunca errar na educação de um filho – fosse possível!
Mas a pergunta que não quer calar então seria: “Como saber a hora de dizer sim e a hora de dizer não?”
Ainda de acordo com o post mencionado do @maecomfilhos eu soube que a psicanalista Sheila Skitnevsky-Finger (doutora em Psicologia pela Massachusetts School of Professional Psychology, em Boston, USA) sócia fundadora do Instituto Mãe Pessoa aponta o filhocentrismo – essa forma nova e pouco saudável de agir na educação de um filho – como uma deformação contemporânea, uma das maiores dificuldade da maternidade na sociedade pós-moderna.
“Os filhocêntricos se anulam e se vêem incapazes de lidar com o dever de dizer não ao filho, de estabelecer limites, de sinalizar o espaço da criança a partir de seu próprio espaço de pais, pois incineram a própria identidade sob o pretexto de amar a criança desenfreadamente. Esses negam aos filhos sua própria imagem de pai. Também conspiram contra a construção da identidade dos filhos”.
Hum… isso começa a me “cheirar” coisas difíceis de se manter por toda a vida, superproteção e prepotência, porque os filhos que vivem em redomas ou que são criados a pensar que os outros estarão a sua disposição todo o tempo, bom, fatalmente irão frustrar-se muito em determinado momento. Mas aí a gente percebe pais aflitos se perguntando como agir adequadamente já que uma chuva de informações e diretrizes parece recair sobre a cabeça de todos, pais de primeira viagem ou não, apontando esse e aquele como o certo e errado.
Amar, educar, proteger e motivar dando subsídios para que a criança se desenvolvesse e transformasse em adulto saudável já não é mais o suficiente, nem tão pouco o padrão. Alguém espera sempre mais e assim, motivados a não ficar em desvantagem e nem sermos apontados na rua, parece que estamos todos seguindo alguma bandeira e buscando ser os melhores pais e mães segundo nossas fontes, pesquisas e exemplos. Por isso gostei quando li, no blog do Colégio CEB, o seguinte:
“Negar alguma coisa para os filhos parece um crime, um verdadeiro pecado atualmente, ou, no mínimo, um ato autoritário, um modelo antiquado de educar. Afinal, tantas obras publicadas indicam tudo que não se deve fazer e tão poucas oferecem realmente uma diretriz para clarear o caminho de quem quer bem orientar os filhos…”
Para possibilitar o surgimento desse ser humano maravilhoso que desejamos que nossos filhos venham a ser é necessário que os pais tenham certeza de uma coisa: dar limites é importante. É fundamental acreditar que dar limites aos filhos é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro. Ninguém pode respeitar seus semelhantes se não aprender quais são os seus limites – e isso inclui compreender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja na vida. É necessário que a criança interiorize a idéia de que poderá fazer muitas, milhares, a maioria das coisas que deseja – mas nem sempre ou na hora em que deseja, assim simplesmente. Essa diferença pode parecer sutil, mas é fundamental
Neste contexto Sheila Finger, no blog do Instituto Mãe Pessoa, propõe algumas estratégias possíveis no processo de educar que requerem estar ativamente envolvido, sem perder de vista a preocupação consigo próprio, enquanto indivíduo, e enquanto modelo a seguir por seus filhos:
- Olhar Bi-Focal – presente versus futuro: manter um olhar, uma perspectiva bi-focal, onde ora privilegia-se o presente, o aqui-e-agora, ora privilegia-se o futuro, o que virá, o que será.
- Combinação de recursos: é preciso compreender e aceitar que para cada família haverá uma combinação possível e específica. O que é possível e desejável para alguns não o é para outros. Não existem fórmulas mágicas: para se alcançar uma combinação eficaz há que se levar em conta o contexto e os recursos de cada mãe, pai, da família, de cada sistema.
- “Vida-bilidade”: criamos o conceito de “vida-bilidade”, ou seja, de pensar a viabilidade da vida de cada um ou grupo. Trata-se portanto de buscar maneiras de tornar a vida mais viável para si e para a família, incorporando os valores, os projetos, as aspirações, assim como a realidade e as limitações pessoais e familiares; enfim, maneiras de tornar sua vida mais viável, dentro da realidade de sua realidade. Para se criar vida-bilidade, algumas premissas se fazem necessárias, como: manter expectativas realistas; ser flexível e criativo; saber priorizar tarefas, interesses e objetivos; utilizar ajuda (delegar, sabendo identificar o quê e a quem); aprender a organizar e administrar as várias funções e os vários papéis; manter constante reavaliação do processo sobre o que está e o que não está funcionando; se divertir. Em suma, lembrar que sempre existe um leque de opções; portanto dentre este leque, tentar eleger o que poderá promover maior vida-bilidade.
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Postei, indico Filhocentrismo: tudo por eles e só para eles – Filhocentrismo, você já ouviu falar a respeito? Provav… http://ow.ly/18VOop
Que bom saber que leu nosso texto e ele a fez refletir RT @blogdati Filhocentrismo: tudo por eles e só para eles http://bit.ly/bQzain
RT @maecomfilhos: Que bom saber que leu nosso texto e ele a fez refletir RT @blogdati Filhocentrismo: tudo por eles e só para eles http://bit.ly/bQzain
RT @blogdati: Filhocentrismo: tudo por eles e só para eles http://bit.ly/bLO0hJ
Ti, mas é difícil separar as coisas especialmente quando se escolhe ter um filho apenas. Veja, eu só tenho uma filha, mas ela é a razão da minha existência, desse modo como não fazer tudo por ela e para ela. E se Deus não tivesse me abençoado com uma filha? E se eu tivesse que me frustrar por desejar e não ter tido uma filha? Já que tenho e a amo intensamente, quero mais é compartilhar todos os momentos com ela, entende?! Sei que a autora fala de regras e claro que estipulamos as nossas, escovar os dentes, hora de dormir, arrumar o quarto, não brigar com as coleguinhas, respeitar o vô e a vó, obedecer a dinda, tudo isso a gente faz, mas ainda que educada ela sabe que é a rainha do lar.
Mas vou fazer como você e refletir um pouco mais sobre esse papo. Beijinhos linda.
Isa
Filhocentrismo: http://migre.me/1hh7Y
Oi Ti,
Posso dizer que não tenho problemas algum em dizer não aos meus, pelo contrario, as vezes acho que digo não de mais, mas infelizmente tenho o meu oposto, o pai, que parece ter “medo” de dizer não a eles, de acabar sendo crucificado como ruim e ai a tarefa fica para a mãe aqui.
Mas acho importante a criança lidar com as dificuldades, principalmente se essa dificuldade for de aceitar um não, eu não tenho um filho, tenho 5, então imagine se eu os criasse como se fossem somente eles, aqui seria muito difícil a convivência, como já vivem numa “sociedade” aceitando a si mesmo e aos irmãos, percebo que as dificuldades são poucas em aceitar regras e ordem, e os problemas que aparecem são enfrentados com ajuda de todos.
Acredito que para quem tem somente 1 filho, isso fique difícil e complicado, pois sempre queremos o melhor para nossos pequenos e nesse caso não há divisões.
Um beijo Jô
Lendo o post d @ingridstrelow no Desconstruindo a mãe http://ow.ly/4IOOm lembrei deste sobre o filhocentrismo e limites http://ow.ly/4IOMu
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