Quanto custa criar um filho único ou não?
Outro dia eu estava lendo reportagem sobre reflexões recorrentes aos pais na hora de decidir sobre a chegada de um segundo filho (inclusive quero escrever calmamente sobre o assunto) e me flagrei pensando, a exemplo de tópicos sugeridos por essa reportagem da Crescer, em quanto custaria esse segundo filho. Como não sou das pessoas mais metódicas e organizadas financeiramente logo essa núvem econômica se dissipou dando espaço apenas ao lado apaixonante de gerar uma nova vida e claro, às agruras e corre-corre duma vida com dois filhotes gritando: manheeeê!
Mas falando sério, você que está planejando ter ou já traz o baby em seus braços, percebeu que nem a melhor planilha do mundo é capaz de registrar corretamente tudo aquilo que seu bebê consome e/ou necessita? Pois é, bem vinda ao clube! Ter filhos neste nosso país é algo muitíssimo caro, dispendioso por assim dizer, mas ainda assim vale a pena! Só é preciso ter em mente que eles crescem muito rápido e as roupas de bebê (infantis em geral) são muito caras, as escolas – afff, além de outros dilemas – nem se fala, comida (quando já deixaram o peito) mais ainda e por aí vai… são acessórios para o bebê, necessaire, passeios, brinquedos, remédios… não sei se vocês tem noção, mas a conta da farmácia sai bastante cara nos primeiros 2 anos de pomadas, fraldas, lenços umedecidos e antibióticos para àquelas viroses comuns à idade mês a mês… chega, chega, eu sei.
Com essa história de relembrar o quanto gastamos com um filho apenas, quero entrar na história de “p/ um filho único posso oferecer tudo, sem privá-lo de nada”. Esse pensamento é recorrente em muitas famílias/casais e que tem sido encarado como uma verdade na nossa sociedade, viabilizando um novo padrão familiar – no meu humilde entender – em que a correria, a carreira dos pais/casal e as possibilidades de educação, cursos, viagens e oportunidades afins para o filho único são a diretriz dessa base familiar. Não estou criticando não – eu tenho um filho só por enquanto – mas a convido para ponderar comigo.
Ponto-chave.
Mais tarde, como lidar com um adulto que não compreende muito bem o “não”?
Atualmente é cada vez mais comum os casais terem apenas um filho e neste modelo de família como fica a sociabilidade de uma criança que não tem a necessidade de compartilhar?
Como cresce a criança que, de repente, não aprendeu a lidar com a superação da frustração de desejar algo que não é oferecido/dado/concedido?
Sob o foco da máxima “filho único é sempre mimado”, eu assisti um debate interessante com @astridfontenell no programa Happy Hour, do canal de tv a cabo GNT. Na animada discussão que reuniu um médico e 3 atores da Rede Globo, filhos únicos ou, no caso de Lucélia Santos mãe de filho único, muito falaram sobre ser ou não ser o “queridinho dos pais”, sobre a preferência ou os mimos exagerados mesmo quando há irmãos e claro, a cobrança e senso de responsabilidade de ambas as partes. Filhos únicos deram a entender que se sentem na responsabilidade de atingir as expectativas dos pais, sem frustrá-los, saindo-se bem sucedidos. E mães que opinaram virtualmente confessavam a angústia de não saberem ser capazes de amar um segundo filho da mesma maneira. Fiquei pasma com esses testemunhos porque, honestamente, pra mim isso seria algo tão natural.
Percebo que muito sobre a escolha – única e particular – de ter filho (s) único (s) está na estrutura da família (desse casal que a compõem e da bagagem familiar que trazem consigo) e na emocional (de ser ou não ser tão bom ou provedores quanto desejam) do que no aspecto financeiro em si. Tudo interligado, mas obviamente as causas e escolhas vão mais no íntimo de cada ser do que um debate ou meu post podem oferecer. Ainda assim, acho legal continuar falando sobre.
Para ilustrar o debate, Diana Bouth foi à casa de uma família com filho único e… bom… as imagens falam mais do que as palavras dos entrevistados e da economista convidada. Vale assistir
Aproveito para indicar um texto/matéria interessante que li há semanas atrás no Portal MdeMulher intitulado “Filho único: o reizinho da casa é mimado?” cujo assunto você já imagina. Lembrando que “a escolha de ter só um filho nem sempre gera crianças mimadas. Basta que os pais tomem certos cuidados, como dar limites e amor na medida certa”.
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Não entendi muito bem o que vc quis dizer com a angústia das mães quanto a amarem o segundo filho ou não. Elas já tem esse filho e não conseguem sentir o mesmo que pelo primeiro ou tem medo de tê-lo porque não conseguiriam sentir o mesmo que pelo primeiro? Eu tenho dois filhos, o menor tem 7 meses e posso dizer que os sentimentos que tenho pelos dois são completamente diferentes, mas não menos intensos. O primeiro é mais independente, mas foi aquele que nos fez desbravar o maravilhoso mundo da paternidade que vc descreve acima (fraldas, lenços umedecidos, brinquedos, etc). O segundo já nasceu mais exigente, quer a minha presença sempre e, de preferência, que eu o carregue no colo e, por isso, também faz com que o amamos muito. Sempre penso na escolha de Ana, aquela que foi obrigada a optar por um dos filhos ao passar pelo campo de concentração na guerra,e optou pelo mais novo, pois o mais velho teria maiores chances de sobreviver, segundo o seu pensamento. Eu, sinceramente, não saberia o que escolher…
Um abraço,
Adri
@blogdati Reply:
agosto 20th, 2010 at 9:36 am
Adri, também eu não compreendo bem essa história de ter medo de amar um segundo filho em menor intensidade do que o primeiro. Ainda não tenho um segundo filho para dizer, mas sendo a sua semente, tendo você trazido ao mundo ou o escolhido, no caso de uma adoção, não compreendo como mulheres poderiam ter medo de não serem capazes de amar e se doar ao segundo filho, como fizeram ao primeiro.
Essa afirmação que vc diz não entender bem, assim como eu, foi lida pelos apresentadores do canal GNT, neste programa da Astrid Fontenelle e de acordo com eles haviam outros desabafos de tônica semelhante. Comentei então, pois me chamou a atenção haver tal angústia. Entende?!
Eu acho que os filhos são uma experiência tão maravilhosa e única em nossas vidas que seria impossível não nutrir por eles os nossos melhores sentimentos e expressões, ainda que de modo diferente, como vc mesma exemplificou. Como as personalidades serão diferentes e como cada um é dono das suas especificidades, é natural que a relação com a mãe e/ou pai venha através de diferentes modos quando falamos de 2 ou mais filhos… o bacana, acho eu, será os pais aprenderem a identificar as necessidades de cada criança e oferecer a ela o melhor retorno para suas expectativas. E como amor acho isso possível, sem dúvida alguma.
Um abraço e obrigado por compartilhar. Ti
Blogged Quanto custa criar um filho único ou não?: http://tinyurl.com/3xcf4bp
Quanto custa criar um filho único ou não?: Chegando de mansinho… Outro dia eu estava lendo reportagem sobre reflex… http://bit.ly/ddp4HA
Se parar pra orçar é melhor não ter RT @blogdati: Quanto custa criar um filho único ou não?: – http://tinyurl.com/3xcf4bp
Ti, gostei da proposta da reflexão, mas vale lembrar que acima de qualquer outra razão, como a financeira ou a emocional, muitas vezes as circunstâncias da vida é que decidem por nós se o filho será único ou não.
Eu assisti a entrevista no programa do GNT que você fala e estou certa de que Lucélia não poderia ter tido outros filhos viajando pelo mundo inteiro para promover Escrava Isaura. E em outros casos, como o meu, nunca me passaria pela cabeça (nunca passou até hoje) não ter outro filho por medo de amar, certo seria pensar em ser digna do amor e da bênção de outra criança, mas ainda assim…
Sou mãe solteira e tenho um filho apenas. Me separei do meu marido assim que o meu João nasceu e nossa vida tem sido de grandes descobertas, de muito amor e companheirismo, ainda que ele sinta falta de um irmão e e eu naturalmente, de um companheiro para dividir as tarefas de educar.
Então deve haver casos como o meu, em que a família se desfez ou não oferece uma solidez tão grande e por isso o receio de uma segunda tentativa, para não correr o risco de falhar ou dificultar mais as coisas para o primeiro.
penso assim, espero que contribua com outras mães e com seu trabalho.
Um abraço, Mari
Ti,
Como a gente falou um pouco quando estivemos juntos para o vídeo do Mãe Com Filhos: não existe modelo certo, cada um precisa encontrar o seu modelo.
Uma série de coisas acabaram por tornar a Carol filha única – questões racionais como o custo de vida são levadas em conta, bem como o fato de ter de lidar com duas necessidades quando a distância entra cada gravidez é muito grande, tenho uma amiga que conta ter dois filhos únicos pois a diferença entre os dois é de 09 anos – mas, no final das contas, é a vontade. Se realmente nós quiséssemos o segundo, teríamos tido. O mundo conspiraria a favor, sabe?
Mas sou totalmente descrente quanto ao fato de filho único obrigatoriamente ser mimado: sou a mais nova de meus primos e vários optaram também pelo filho único, hoje adultos entre 17 e 23 anos. E ótimas pessoas.
Um deles, cujo modelo de infância seria o teve de tudo, é um menino extremamente educado, amigo de seus pais, com apenas 16 passou em uma das escolas federais mais disputadas e só dá alegria a todos.
Já a questão da dúvida quanto amar mais um que outro, dando uma de psicóloga que não sou, isso acontece muito quando a situação foi vivida na própria infância da mãe.
Beijos carinhosos!
Oi, Ti
Olha, da minha experiência, posso dizer que esse medo “de não amar o 2o. filho como se ama ao primeiro” é totalmente infundada!!! São dois seres diferentes, que chegaram em nossas vidas em circustâncias diferentes, em que já éramos, nós mesmas, pessoas diferentes (daquela que existia antes de ter o 1o. filho). Mas amamos aos dois imensamente!!! É amor de mãe, independente de ser por um ou por dois filhos. Nem sei explicar isso direito, pq isso é uma coisa tãããão vaga e tão abstrata pra mim. A única coisa que sei é que amo imensamente meus dois filhotes lindos e maravilhosos! E ponto.
Mais um comentário: como assim “p/ um filho único posso oferecer tudo, sem privá-lo de nada” ? O argumento é furado, pq aí já existe uma privação: priva da felicidade imensa de ter um irmão, priva de aprender a conviver diariamente com um outro ser, que vai ter os mesmos ancestrais que ele, que vai poder compartilhar uma história em comum, com quem vai aprender a dividir, a brigar, a brincar.
Foi por isso que eu quis ter dois filhos: pq queria proporcionar para a Yumi a felicidade imensa de ter um irmão. Vejo que acertei: eles se adoram e a existência do Kazuo faz a vida de todos nós muito mais feliz!
Beijão!
@blogdati Reply:
agosto 20th, 2010 at 11:03 am
Ai que delícia, Andréa, vc voltou!!!!
Brincadeiras a parte, eu compreendo isso que falou porque comungo da mesma idéia, a de oferecer um irmão ao CJ justamente por acreditar nessa força entre irmãos, na importância de oferecer a ele alguém que desfrutará de experiências semelhantes dentro de uma mesma família, do amor desses mesmos pais e das novidades que todos vivenciarão juntos.
Não me sinto à vontade para condenar as mulheres que optam por ter um filho apenas, mas ao mesmo tempo não me esquivo de falar sobre o assunto e tentar, justamente, entender melhor como se processam esses motivos (justificativas) que vejo serem expressadas em reportagens mil, entende?!
Reflexões…
Gostei do que disso, vou somar e continuar pensando em todos esses assuntos. Um beijo
Recordando… Quanto custa criar um filho único ou não? http://t.co/t21XuVyV #filhos
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