As crianças – realmente – aprendem o que vivenciam

Posted by @blogdati On agosto - 15 - 2010 13 Comments

Há pouco mais de um mês comecei a ler o livro que dá nome a este post “As crianças aprendem o que vivenciam” de Dorothy Law Nolte e Rachel Harris, no qual ensinam, através de exemplos de distintas histórias de vida, sobre o poder do exemplo dos pais na educação dos filhos. O livro, que já tem mais de 2 milhões de exemplares vendidos no mundo, é meio que um livro de cabeceira, daqueles que devemos ter por perto e podemos reler repetidas vezes.

“Seus filhos estão sempre prestando atenção em você. Talvez não ao que você lhes diz para fazer, mas certamente ao que de fato vêem você fazer”. (trecho do livro)

O livro é suave e curto, tem apenas 19 capítulos com ensinamentos que na verdade são passagens significativas do nosso dia a dia com filhos, mas sobre as quais nem sempre temos consciência e/ou percepção aguçada a ponto de usá-las a nosso favor, a favor da criação que estamos oferecendo aos nossos filhos. Confesso que tenho lido um capítulo a cada dois dias para poder refletir bastante sobre o assunto… às vezes me sinto a criança que come o doce aos poucos para não acabar.

Meu filho gosta de beijar e abraçar, porque os pais são beijoqueiros e abraçadores, oferecendo carinho o tempo todo. Ele gosta de dialogar porque nós conversamos muito com ele, de perto, agachando à sua altura e olhando olhos nos olhos, falando sobre tudo.

Percebo, no caso do meu filho, que enxergando uma mãe solícita (all the time) e generosa, ele é assim, atencioso com as pessoas que lhe abordam na rua, querido e convidativo com os amigos mais chegados e extremamente cuidadoso com o relacionamento junto aos familiares. Quer sempre chamar todos para a brincadeira, oferecer suas coisas, convidar que venham ao quarto, sentem-se na mesinha de atividades e estando assim, a receber suas visitas, despeja lápis, gizes de cera, papéis brancos para desenho, bonecos, carrinhos, legos, bolas e o que mais lhe convier “oferecer para brincar”, imaginando que a visita assim fica feliz. Entre uma brincadeira e outra, também sozinho, vejo que ele “oferece” coisas de um brinquedo para o outro, mostra sentimento entre os personagens e dele para com os seus brinquedos. E tenho imaginado que isso faz parte desse aprendizado de “solicitude e generosidade” (e não, não falo daquela que dá bens materiais, mas a que aceita ceder dentre aos seus desejos para priorizar a vontade de outra pessoa seja num passeio, numa brincadeira, viagem ou escola do restaurante, por exemplo).

“Não há presente melhor para os pais do que assistir ao desenvolvimento da personalidade dos filhos, ver sua beleza brilhar no mundo e saber que contribuíram de modo essencial para a felicidade deles”. (trecho do livro)

Mas como nem tudo são flores e há muito os pais e mães sabem que criar um filho não é tarefa tão fácil quanto fazem parecer os especialistas (haha), os nossos filhos também repetem àquelas atitudes impensadas de comportamentos desenfreados, atitudes de rompante e/ou símbolos do nosso stress diário, por isso havemos de nos cobrar mais auto-controle e cuidado na educação e criação dos filhos, pois quanto mais erramos maior a chance deles nos copiarem nisto também.

E como eu sempre dou a cara à tapa e me exponho aqui com meus exemplos, posso contar e assumir que, quando dirijo – por exemplo – costumo ficar muito aflita – com as barberagens no trânsito, com a prepotência de alguns motoristas ou apenas com a lentidão de uns versus ignorância e zigue-zague de outros – e claro, eu xingo. Geralmente, xingo muito. E assim meu filho aprendeu a dizer: “idiota”, “palhaço”, “barbeiro” e, “que saco”. E vejam, minha confissão não é das mais fáceis, porque o reflexo disso atinge diretamente a mim, já que meu filho resolve me copiar quando eu o mando juntar os brinquedos e ele responde: “que saco mamãe”, ou pior, quando vou deixá-lo na escola e, munido da ânsia de mostrar sua insatisfação, ele me diz “mamãe, não quero a escola, amigos idiotas”, esses mesmos que, ao final da aula, são beijados e abraçados pela saudade antecipada do próximo dia na escola.

Já sei, péssimos hábitos de ambos os lados… eu sei, eu sei. E por isso quando leio este livro reconheço a mim mesma e a pessoas próximas através dos testemunhos e exemplos narrados naquelas breves páginas, que são nada mais do que um guia para alertar pais e mães a melhorar seus hábitos pessoais de vida para que seus filhos só externem o melhor, o que lhes é natural e sabidamente, mais agradável. E o que nossos filhos possuem de melhor? Amor, carinho, curiosidade, criatividade, sensibilidade, magia, encantamento… Coisas sobre as quais também tenho muitos exemplos em palavras e atitudes mas que não caberiam aqui sem que eu escrevesse um enorme volume de texto e, essas são as que fazem valer a pena os nossos sacrifícios e esforços, seja para oferecermos o melhor do que está ao nosso alcance ou seja para nos tornarmos melhores como pessoas já que “alguém” está de olho bem ficado em nossas atitudes!

Antes de finalizar, eu queria fazer minhas as palavras de minha mãe (@bloglouvor) e lembrar que, em tempo, mesmo que hajam falhas e rusgas na criação, no dia a dia cansativo e estressante, sempre é tempo de corrigir isso despejando palavras e ações de amor que irão se sobressair às palavras ditas não pelo coração, mas por uma frustração ou ação impensada. O amor sempre se sobressai e lembrar isso a quem você ama é a melhor receita!

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13 Responses so far.

  1. Renata disse:

    Ti, acho muito bacana esse livro porque muito se fala sobre maternidade mas pouco se fala sobre a importância do exemplo. Podemos ir além, lembrando que tb não adianta nos adestrarmos ou forçarmos atitudes na frente dos filhos, pois as crianças têm sensibilidade pra ver o que está por trás, e pra perceber quando não há verdade.
    A solução universal e única pra pais e mães é se transformar, lutar pra evoluir, se superar, sem medo de encarar a sombra e sem varrer poeira pra baixo do tapete. Sem dúvida presenciar essa luta é a melhor vivência que podemos proporcionar aos nossos filhos.
    Sobre o nervosismo no transito, posso comentar? É impressionante como os filhos vem com o pacote completo. Eles nos demandam crescermos, evoluirmos, melhorarmos, e ao mesmo tempo vem nos mostrando onde precisamos nos trabalhar. Seu filho está te mostrando o caminho, isso é lindo!
    Conheço pessoas que tb sofrem dessa “sindrome de agressividade no transito”, e normalmente isso só chama a atenção pq são pessoas super doces. A explicação pra essa atitude normalmente é que ela funciona como uma válvula de escape pra alguma energia agressiva que está sendo reprimida em outras situações da vida. A questão é descobrir o que e onde, e trabalhar nisso :-)
    Um beijo grande!
    Re

    @blogdati Reply:

    Re, obrigado por vir compartilhar e opinar.
    Também tenho percebido que há pouca coisa sobre “os exemplos” que oferecemos aos nossos filhos, assim como sobre “a responsabilidade de nossas escolhas enquanto pais” e de repente estes temas são fundamentais para a gente discutir e refletir.
    Gostei da sua dica sobre a necessidade de avaliar essa energia reprimida no dia a dia e que supostamente eu dou vazão ao me estressar tanto no trânsito. Creio muito que seja essa a questão sim, afinal são tantas angústias, preocupações, responsabilidades e expectativas sobre diversos assuntos que muitas vezes a sente vai ficando “carregada”, com ombros doídos, músculos rígidos e com a boa suja… ora, ora, vejam só… e aí a tensão escapa junto com a indignação por um trânsito caótico e por atitudes que a gente despreza no comportamento do outro motorista.
    Depois que busquei encontrar no discurso do meu filho a origem dessas palavras menos positivas e sua repetição sem encontrar quase nada, comecei a olhar pra dentro de casa e tentar ver onde estávamos errando, já que ele está exposto ao mundo exterior em menor tempo do que ao mundo familiar. E foi aí que achei essa possibilidade que poder ser única ou não, mas então estou me apaziguar para mudar de comportamento para ver se, logo, logo, ele deixa de usá-las.
    Vamos ver se dará certo!! Te conto :)

  2. Tiffany Stica disse:

    Blogged As crianças – realmente – aprendem o que vivenciam: http://tinyurl.com/38qfvlz

  3. blogdati disse:

    As crianças – realmente – aprendem o que vivenciam: – http://tinyurl.com/38qfvlz #familia (via blog)

  4. Tiffany Stica disse:

    As crianças – realmente – aprendem o que vivenciam: Há pouco mais de um mês comecei a ler o livro que dá nome a es… http://bit.ly/cZmUVK

  5. Maria Kacinskas disse:

    Ti
    Eu tenho esse livro,já faz quase 1 ano que o devorei.
    E assim que terminei, pensei comigo – é um livro de cabeceira para ser consultado sempre. Porque precisamos ter esses lembretes todos os dias. Que nosso filhote copia nossos atos. E todos os dias temos de tomar decisões nas nossas vidas o que seja melhor pra nós e para ele, mas também o que gostaríamos que ele repetisse em seus atos, na sua vida.
    Ótima indicação de leitura.
    Bjs

    @blogdati Reply:

    Maria, você tem razão: precisamos nos lembrar dessas dicas diariamente porque facilmente a gente está fadada a se entregar ao stress, à irritação, desânimo e sei que outros sentimentos não tão bons, infelizmente, transferindo para os nossos filhos parte disso… e eles são tão maravilhosos que não merecem estar submetidos aos nossos maus exemplos e tão pouco aprender com eles.

    Você me indicaria outros livros maternos da sua cabeceira?
    Um beijo grande. Ti

  6. Isa disse:

    Ti, penso que todas nós mães erramos eventualmente na criação de nossos filhos, porque somos falíveis mesmo, porque ainda que estejamos sendo mães hoje a gente não deixou de aprender por isso, quero dizer, estamos crescendo e aprendendo com eles. Minha filha, se vc quer saber, mesmo pequenina de 3 anos acha lindo falar “cala a boca” porque escuta os primos dizendo isso e porque nós falamos assim, entre uma brincadeira e outra aqui em casa. Sei que é horrível, mas ela viu e nos copia. Agora não adianta mudarmos, porque o feio já foi feito, mas a gente orineta e msotra que não é correto falar assim. Por outro lado ela nunca bate em nenhuma outra criança, pq nunca apanhou, numa viu o pai e a mãe levantarem um dedo sequer para o outro ou para ela, então quando leva um empurrão por exemplo, fica quietinha, nem sabe como se defender. o certo mesmo é que com os exemplos dos pais eles se educam, mas sob os exemplos de tudo que percebem nas ruas eles vão se moldando também e a gente vai ter que estar preparada pra isso, certo?!
    Beijinhos, linda

    @blogdati Reply:

    Isa, sei que erramos e ao mesmo tempo aprendemos diariamente, concordo em gênero, número e grau com você. Manter saudáveis as nossas relações pessoais de amizade, familiares e até profissionais me parece algo mesmo complicado, porque invariavelmente nos vemos diante de obstáculos a ultrapassar e muitas dúvidas. Minha frustração, falando bem a verdade, é saber que quando se trata dos nossos filhos pequenos, tanto da sua princesa com o cala a boca quanto do meu CJ com as bobagens proferidas, a gente sabe que a culpa é nossa. E faz parte do nosso crescimento reconhecer isso, saber trabalhar a mudança para projetar neles coisas melhores do que isso… perfeito, mas fazer tudo isso demanda tempo e nem sempre é fácil. No entanto tenho percebido que pequenas atitudes e muitos exemplos positivos tem sido tb reconhecidos e valorizados por ele – no caso aqui da nossa família – e pelas pessoas próximas, então isso me dá uma injeção de ânimo, sabe?!
    Vamos nos comunicando na sequencia. Um beijo. Ti

  7. Ministério da Saúde disse:

    Não conseguiu vacinar seu filho? A vacina contra a paralisia infantil ainda está disponível em toda a rede pública do país. Vá ao posto de saúde mais próximo e imunize todas as crianças menores de cinco anos. A poliomielite é uma doença grave e não existe no Brasil desde 1989. Vamos ajudar a mantê-la longe das nossas casas!

    Mais informações: comunicacao@saude.gov.br ou http://www.formspring.me/minsaude

  8. @blogdati disse:

    Coluna da Revista Crescer. Mesmo tema.

    http://www.revistapaisefilhos.com.br/colunistas/5/dr-saul-cypel

    A CRIANÇA APRENDE IMITANDO SEUS PAIS. PRESTE ATENÇÃO A SUAS ATITUDES

    Um dos modos pelos quais a criança aprende é a imitação. Há poucos dias pude observar o fato com meu neto de 8 meses. Ao nos despedirmos, fiz o movimento de abano com a mão, enquanto dizia “tchau, tchau, tchau…” E não é que o danado passou a abanar com a mão?! No dia seguinte, para confirmar, fiz o mesmo gesto e ele o acompanhou.

    A criança é permeável e pode repetir a atitude de modo adequado ou não, confiando tratar-se de uma boa ação já que o adulto que tanto admira atuou daquela forma. Se a mãe costuma ter a companhia fascinada da filha ao fazer os últimos retoques de maquiagem, é possível perceber como a criança faz o mesmo movimento com os lábios, como se estivesse se pintando.

    Os filhos percebem como os pais funcionam consigo e com os outros, com as regras e compromissos, os cuidados e a tolerância diante das coisas que não deram certo, as reações impulsivas de momentos de menor controle, os elogios e o carinho do acolhimento afetuoso.

    Irão, assim, aprendendo com a experiência e aperfeiçoando seu comportamento, o que favorecerá um ajuste psicossocial mais adequado. Assim, as crianças são modeladas pelo pai e pela mãe para um melhor desempenho futuro.

    É importante que os pais tenham consciência da repercussão de suas condutas no ambiente familiar. Tem sempre o olho comprido de um filho espreitando e que poderá imitá-lo… Espero que sempre para o bem.

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