Já foi o tempo em que a figura do pai era um modelo de hierarquia a seguir e respeitar, cuja pessoa determinava a liderança, proventos e segurança da família, com quem pouco se dialogava e nunca sequer discutia.

A exemplo do meu marido (modéstia a parte, um excelente companheiro e maravilhoso pai) e de meu cunhado@gnsbrasil que há 10 anos exerce a paternidade de dois garotos incríveis com nítido crescimento humano e dedicação integral, como eu poderia enxergar a postura paterna dos dias atuais – ou seria, dos últimos anos pra cá? – sem achar tudo muito bom? Recentemente, inclusive, participei de um debate com mães e pais modernos e participativos, numa ação do Portal Mãe com Filhos e na ocasião, @paicronico e @filhoespecial me fizeram rir muitas vezes com as narrativas de seus dias e aventuras com os filhos pequenos. E ambos tem um casal, então imaginem que as histórias eram sobre os distintos gêneros e talvez por isso, mais gostosas ainda de escutar, já que eu só tenho filho e sobrinhos meninos.

Esses exemplos dos novos pais e por que não dizer, novos homens, reabilitam a figura paterna aos olhos dos filhos, das companheiras e da própria sociedade, parecendo uma evolução natural do processo sócio-cultural de que fizemos parte nas últimas décadas. Pra mim é nítido que a pressão sobre a presença da mulher em casa, atuando integralmente em relação a educação e criação dos filhos diminui a medida que “os novos pais” interferem favoravelmente em sua relação com os filhos e facilitam a cumplicidade e sucesso da relação familiar.

Papai Ju e CJ by mamãe @blogdati / Vedada a reprodução / Arquivo pessoal

Gostei de ter lido as palavras de Luiz Alberto Marinho, do Portal Blue Bus, onde ele aponta razões históricas para essa transformação, veja:

Uma das principais causas dessa transformaçao, segundo a pesquisa da Limo Inc, empresa brasileira de pesquisa e tendências, é a revolução feminina. Ao sair de casa e assumir novos papéis, elas quebraram o paradigma que determinava que homens eram apenas provedores, cabendo à mulher cuidar do lar e das crianças. Hoje todos dividem as responsabilidades, tanto na hora de pagar as contas como na criação dos filhos. Por isso mesmo, é cada vez mais comum ver os homens lavando louça, cozinhando, fazendo compras no supermercado e ainda levando os pequenos à escola. Tudo isso, naturalmente, faz com que eles se aproximem mais do cotidiano das crianças.

Por experiência própria eu diria que os homens tem contribuído para o serviço doméstico e aceitado/motivado a atuação da companheira no mercado de trabalho, sabendo que assim ela equipara-se a ele (ou quase) como mantenedora do lar há mais tempo do que tem se preocupado com a importância do seu papel na vida dos filhos. Meu pai, se me permitem contar, sempre nos levou à escola, atendeu nossos pedidos de compra – mesmo que fosse de um acessório de cabelo para uma festa da escola, proveu e lembrou de aniversários, assim como sempre lavou a louça, interessou-se pelas compras de mês (antigamente a gente comprava uma vez ao mês, né?!) e claro, se passaríamos de ano com ou sem recuperação. Mas esse mesmo pai entendia que estava colaborando com a mulher que trabalhava fora assim, com pequenas, atitudes que minimizassem seu trabalho quando retornasse ao lar, porém nunca se abriu para ouvir conversas íntimas dos filhos, sobre nossas ansiedades, expectativas ou frustrações. Como explicar… a parte íntima e zelosa de pai esteve sempre alicerçada pela presença e compreensão que viriam naturalmente da mãe, sem que ele precisasse ser “emocional”, oferecendo-nos mais do que a “razão e responsabilidade” de praxe para qualquer pai.

E creio que é neste ponto que os pais modernos se diferenciam daqueles de outros tempos. Hoje os “novos pais” estão dispostos a resolver os atritos, a ensinar, repreender ou compreender melhor os seus filhos a partir do diálogo, do amor e da presença máxima junto aos pequenos e/ou adolescentes. A maior parte desses, apesar da extenuante rotina de trabalho, ainda de arrimo de família e em geral homem de carreira, chega em casa moído de cansaço, mas por desejo próprio quer saber sobre o dia na escola, as brincadeiras com os amigos, sobre o lanche, o desenho ou filme que assistido pelo filho e com sorte, muitos deles ainda auxiliam no banho e contam histórias para dormir. É ou não é um avanço se compararmos estes pais com os nossos velhinhos, que agora são apenas maravilhosos avós babões?!

Os pais modernos não querem ser melhores do que suas companheiras e/ou mães de seus filhos, disso tenho certeza, mas querem estar presentes de fato porque motivados seja a partir de suas bagagens pessoais com vivências frustradas ou apenas para atender um propósito de vida, eles, agora, enxergam a importância de serem tão ativos quanto as mães oferecendo presença constante e amor incondicional aos filhos. Muito provavelmente porque percebem que os “homens que são” apontam como reflexo do resultado de suas próprias vivências em família. E podem optar agora, neste novo papel, por repetirem os erros e acertos de seus pais ou agirem diferente.

E você, o que acha dos pais modernos de hoje em dia? Deixe aqui sua opinião.

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16 Responses so far.

  1. Tiffany Stica disse:

    Blogged O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo: http://tinyurl.com/29aektm

  2. Tiffany Stica disse:

    O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo: – http://tinyurl.com/29aektm #familia (via blog)

  3. Tiffany Stica disse:

    O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo: Já foi o tempo em que a figura do pai era um mode… http://bit.ly/bqVXB9

  4. crecheladybug disse:

    RT @blogdati: O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo: Já foi o tempo em que a figura do pai… http://bit.ly/bqVXB9

  5. Tiffany Stica disse:

    New Blog Post O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo http://ow.ly/18sRt3

  6. RT @blogdati: New Blog Post O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo http://ow.ly/18sRt3

  7. Kali disse:

    Oi Ti!

    Acho maravilhoso esse companheirismo entre vcs! Não tive a sorte de compartilhar o crescimento do meu filho desta forma, tive que desempenhar o papel de “pãe” muitas vezes, acredito que consegui !
    Ti, a foto esta linda, roubei, rsrs
    Bjs p/ vcs!

  8. Vovô Stica disse:

    beleza de matéria, alias eu me considro um pai moderno, convivi muito com meus filhos, penso ser este o resultado do amor que temos em família. continue assim. em tempo, essa foto do Caio e |Juliano tá demais.
    bjo a todos

  9. RT @blogdati: O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo: – http://tinyurl.com/29aektm #familia (via blog)

  10. RT @blogdati: O pai moderno: menos autoritário, mais sensível e participativo: – http://tinyurl.com/29aektm #familia (via blog)

  11. A família toda sai ganhando, não é mesmo? Bem melhor!

  12. Ju disse:

    Oi Ti, só agora consegui um tempinho pra comentar, é que o CJ acabou de dormir, depois de brincarmos muito. Isso depois de chegar do trabalho, conversar com você, dar banho nele, fazer o jantar e lavar a louça, ufa! Ser pai hoje em dia não é fácil não… brincadeirinha, hehe!!!
    Quem ler o seu texto vai até ficar pensando que sou tudo isso, legal!
    Brincadeiras a parte, nada como uma família bem equilibrada.
    Um beijo do papai “modelo” Ju!

  13. @blogdati disse:

    Reportagem da Revista Crescer on line: Homens ficam mais carinhosos depois que viram pais

    http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI164007-10511,00-HOMENS+FICAM+MAIS+CARINHOSOS+DEPOIS+QUE+VIRAM+PAIS.html

  14. Paulo LuizMendonça. disse:

    DIÁLOGO ENTRE PAIS.

    Um dia um homem andava pela estrada muito triste, sua vida estava um transtorno, sua família era muito desajustada. Neste seu trajeto ele encontrou um outro homem sentado em uma pedra à beira do caminho. Era um velho de barba e cabelos bem branquinhos, o homem que caminhava parou cumprimentou o que estava sentado, sentou-se a seu lado demonstrando muita tristeza.
    — O que é isso meu amigo, porque esta tão triste tão deprimido?
    — Minha vida é muito difícil, meus filhos estão todos com problemas, são muito desobedientes me tratam muito mal, por este motivo é que estou extremamente chateado, o senhor também tem filhos?
    .— Sim meu amigo eu tenho muitos filhos, como você também estou muito triste, mas diante dos meus problemas os seus não são nada grave, imagine que eu tenho filhos espalhados pelo mundo todo, entre eles há terroristas que matam pessoas inocentes muitas vezes usando até meu nome, entre eles há também assassinos, estupradores, ladrões, traficantes de drogas e muitos outros tipos de marginais. Tem muitos dos meus filhos que só me procuram quando estão com problemas para resolver, muitos são falsos e hipócritas, muitos usam meu nome só quando precisam influenciar os seus semelhantes, têm alguns que nem acreditam que eu seja seu verdadeiro pai.
    — Nossa, sua situação é bem pior que a minha, sua família deve ser muito grande e bastante complicada.
    —Sim meu filho ela é muito grande e realmente muito complicada
    — O que o senhor estava fazendo sentado aqui sozinho na estrada?
    — Estava te esperando.
    —Me esperando, como? Eu não marquei encontro com ninguém.
    — O que você fazia um pouco antes de me encontrar
    —Eu pedia a Deus para me ajudar com a minha tristeza.
    —Então filho?

    Esta crônica foi extraída do livro ,Crônicas indagações e teorias, autor Paulo Luiz Mendonça. Editora Scortecci.

  15. Paulo LuizMendonça. disse:

    POBRE ANIVERSARIANTE.

    Um dia, um homem se encontrava na noite de natal, em uma pequena cidade, quando viu uma casa ricamente enfeitada, toda iluminada, observando esta bela casa pela janela, ele viu que havia uma grande árvore muito bonita, toda enfeitada com milhares de lâmpadas; a árvore tinha em sua base muitos pacotes de presentes, em torno da mesma, muitas pessoas bebiam e comiam ao som de alegres músicas, todos estavam muito alegres e felizes. Do lado de fora desta mesma casa, havia um garoto sentado no primeiro degrau da escada que havia em frente à casa, pelo seus trajes se via que era muito pobre. O homem se aproxima do garoto, notou que ele estava muito triste, seu semblante era de alguém que fora abandonado, o homem se aproxima, senta-se a seu lado, pega em sua mão e diz.
    —Como está, filho? Você parece estar muito triste.
    —Sim estou muito triste! Porque toda essa tristeza? Tudo hoje é alegria, é dia de natal, hoje se comemora o nascimento de Jesus Cristo. Nesta data, todos nós devemos estar alegres, outra coisa todos estão festejando, porque não foi também em alguma festa.
    —Bem que gostaria, mas não fui convidado por ninguém.
    —Menino, diga-me seu nome e te apresentarei ao dono desta casa, eu o conheço e você poderá participar desta bonita festa.
    –Não adianta dizer meu nome,
    –Porque não adianta dizer seu nome?
    –Porque todas as pessoas desta casa me conhecem a longo tempo e muito bem, sabem também que faço aniversario hoje, não só elas, mas todos desta cidade, todos deste estado, todos deste país e muitas outras pessoas deste planeta, até o senhor me conhece, o homem pensativo abaixa a cabeça, muito envergonhado, diz
    —Sim garoto! Acho que você tem razão não adianta mesmo dizer seu nome!

    Esta crônica foi extraída do livro, Crônicas, indagações e teorias. Autor Paulo Luiz Mendonça. Editora Scortecci.
    http://pauloluizmendonca.judblog.com

    NOITE DE NATAL

    Natal é noite feliz
    É o que todo mundo diz
    Nesta comemoração.
    Nem todos têm alegria
    Em alguns a tristeza estaria
    Ferindo seu coração.

    Quem tem amigos distantes
    Ou quem tem a vida errante
    No natal não tem tal calma
    Quando o sino bate a noite
    Recebe no ouvido um açoite
    Que fere dentro da alma.

    Eu que vivo assim sofrendo
    Com o coração remoendo
    Nas tristezas que vai e vem.
    Com o pensamento errante
    Procuro por Cristo distante
    Indo parar em Belém.

    RECORDAÇÃO DO NATAL

    Em uma triste noite fria
    Escuridão alucinante,
    Parei fiquei em silêncio
    Ouvindo o sino bater
    Em uma capela distante.

    O sino que repicava
    Enviando no ar um sinal.
    Fiquei triste neste momento
    Veio-me logo na mente
    Recordações do natal.

    Sozinho onde eu estava
    Bem longe dos entes queridos
    Nesta hora eu me encontrava
    Solitário neste mundo
    Todos já tinham partido.

    Estas poesias foram extraídas do livro Crônicas Indagações e Teorias, autor Paulo Luiz Mendonça. Editora Scortecci.

    @blogdati Reply:

    Paulo, obrigado por compartilhar e divulgar o seu material.
    Sucesso!

    Abraços, Tiffany

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