Boa noite Vovó!

Posted by @blogdati On julho - 26 - 2010 7 Comments

Em outra ocasião eu já escrevi aqui sobre a importância delas na vida do meu pequeno e em quanto sempre refletimos sobre os limites necessários nesta relação entre netos-filhos-avós, mas hoje as palavras e reflexões só poderiam ser sobre a grande importância de tê-las vivas e próximas, transbordando amor e cuidados.

Tradicionalmente comemora-se hoje, 26 de julho, o dia da avó. Nós aqui em casa tivemos um dia corrido absolutamente envolvido pela participação das avós, mas esquecemo-nos de celebrar a data, comercialmente falando… então, enquanto elas descansam fica aqui o nosso parabéns, o nosso carinho e retribuição a tanto carinho.

Vejo nas avós do meu filho uma simbologia do que a nossa sociedade compreende serem as avós atuais: mulheres vibrantes e cheias de personalidade que, tanto sendo donas de casa como profissionais liberais, estão sempre atarefadas e ao mesmo tempo diretamente envolvidas nas ações voltadas para o bem estar da família, incluindo o que diz respeito aos filhos e netos próximos ou distantes do lar. E é interessante percebermos que as avós de hoje já não são mais representadas pelo estilo “senhorinha” de outrora, o mais próximo daquele esteriótipo de “Dona Benta” é na verdade a frase “gostaria de ser uma avó à antiga, sempre disponível” e no fundo, para a grande maioria dos netos isso não faz diferença.

No meu tempo de menina – será que parecemos mais velhos quando dizemos “no meu tempo”? I guess so – as avós eram assim mesmo, gordinhas, mais cansadas, cozinhavam bem, serviam fartos cafés da tarde e ótimas jantas, mimavam os netos até dizer chega e claro, não frequentavam academias ou cursos de línguas, hehe. As minha Vó Gorda (falecida quando eu tinha 8 anos) até hoje me remete a lembranças como: “comer pastéis com wimi (refri de laranja) numa banca de chinês do centro da cidade, coalhada na Confeitaria Chaffer ou me dar uns trocados para eu lhe coçar as costas assim tipo carinho estabanado”. E a outra avó, minha Batian (avó em japonês) poderia ser traduzida como a pessoinha mais frágil e delicada, de fala mansa, olhar penetrante e sincero, cujas palavras e voz não consigo lembrar, mas cuja ternura me fazem até hoje ter certeza de seu amor pelos netos. Falecida quando eu tinha de 7 anos, dela lembro pouco, mas essas poucas lembranças de uma e de outra são música para meus momentos de nostalgia. Interessante.

E para que a vida e memória afetiva do CJ não seja assim feita de flashes – e já não é pois a convivência dele com os avós é franca, intensa e feliz, graças – eu me empenho para exigir dos avós o máximo de participação no cotidiano, na educação, no desenvolvimento do neto como se estivessem com ele diariamente. E com muitos artifícios que a tecnologia e a criatividade me disponibilizam temos – papai Ju e eu – minado o CJ de referências sinceras e alegres sobre o amor e a presença dos avós na sua vida. Acho que talvez esse seja o maior presente que podemos oferecer a ele, a certeza do amor incondicional e intenso dos avós, que nitidamente, é algo totalmente diferente do amor de pai para filho. Seria esse amor mais forte ou mais sincero pela “não exigência ou não expectativa” das obrigações relacionadas à educação/criação? Fico a pensar…

Antes de terminar meu post, aproveito para citar duas coisas e exemplos, poderia dizer, bem bacanas dessa relação:

Sabendo que iremos para casa amanhã, após o almoço de despedida de hoje, meu sogro deixou CJ e eu na casa de meus pais. Abraçou, beijou, disse que sentiria saudades, que estaria trabalhando e não poderia levar o neto no aeroporto no dia seguinte. Reforçou palavras de afeto e liberou o “eu te amo” seguido de um “upa” apertado. O CJ, percebendo que se tratava de uma despedida mesmo, foi baixando a bola com quando a pilha acaba e entrou. Já separados pelo portão, o avô no carro e ele para dentro, eu observava os acenos e o carinho quando me surpreendi pelas repetidas declarações de amor do meu filho que, em alto e bom som, dizia: Te amo vovô! Três vezes. Depois calou-se, viu o carro sair e mudou de assunto nitidamente sentido pela despedida. Foi de cortar o coração e lindo ao mesmo tempo. Creio que meu sogro chorou ou quase… já pensou?!

A outra situação não fala sobre nós, mas achei interessante. Mais cedo, hoje ainda, a odontopediatra que acompanha o CJ me contou que o neto, de quase 3 anos, passa os finais de semana com os avós, mesmo morando na mesma cidade, pois a rotina dos avós que ainda exercem as profissões e em ritmo acelerado, diga-se de passagem, é tanta que eles não teriam outras chances de se ver e conviver. No esquema adotado, os avós curtem o neto, se envolvem em todos os processos de cuidados e lazer que lhe diz respeito e contribuem para o lazer dos pais/filhos que ficam “livres” no final de semana. Não parece uma boa idéia?! Adorei :)

Brincadeiras a parte, essa “parceria” entre pais e avós que moram próximos ou a compreensão necessária e possível para netos que não os tem assim tão ligadinhos o tempo todo me faz lembrar de uma matéria que li na Revista Pais e Filhos. Fica a dica!

Agora chegando ao fim, parabéns avós do CJ e obrigado pela compreensão, disposição e amor constantes. Estendo os votos aos avós homens e suas incríveis participações idem! Abraços.

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7 Responses so far.

  1. Tiffany Stica disse:

    Boa noite Vovó!: – http://tinyurl.com/34yfzgp #familia (via blog)

  2. RT @blogdati: Boa noite Vovó!: – http://tinyurl.com/34yfzgp #familia (via blog)

  3. Tiffany Stica disse:

    Boa noite Vovó!: Em outra ocasião eu já escrevi aqui sobre a importância delas na vida do meu pequeno e em quanto … http://bit.ly/coW8BM

  4. Isabel disse:

    Que lindas as fotos. Sorrisos de alegria e amor como já dizia a pesquisa que aborda o comportamento dos pais. Vê-se que o seu filho tem tudo em triplo.
    Beijinhos, Isa

  5. [...] com avós e avôs pela infância adentro, me apeguei ao fato de que tenho – como contei aqui – poucas lembranças das minhas avós, mulheres especiais, fortes e determinadas que souberam [...]

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