Filhos como projeto de vida: uma boa reflexão

Posted by @blogdati On junho - 7 - 2010 5 Comments

Filhos, seres amados e maravilhosos pelos quais não medimos esforços na busca incessante por dedicação, motivação, incentivo, acalento, boa educação, bons passeios e viagens, acesso a cultura, lazer, integração social, vivências… Por eles nossa vida deixa de ter sentido particular fazendo-nos abolir o “eu em primeiro lugar” e passa a ser sinônimo de doação.

A mudança de vida ao torna-se pai e mãe em geral é similar em todas as famílias, algo avassalador que une mais ainda ou divide o casal sob pontos de vista da criação, rotina e valores. A novidade da presença daquele novo ser é carregada de emoções, dúvidas, curiosidade, êxtase, cumplicidade e muita magia… parece piegas, mas deve ser a “magia do amor”. Tudo maravilhoso, não acham? Mas logo nos primeiros dias de vida e com certeza pelos próximos meses e anos da vida do filho, pais e mães começam a ser bombardeados com comentários, conselhos, críticas, observações um tanto melindrosas e por aí vai. Oriundo de todas as partes a intervenção alheia é, devo dizer, uma grande inimiga e pode causar muito mal estar e dor a quem “a permite”.

Por que é tão frustrante não acertar com os filhos? Digo… acertar sempre.

Por que nos desgastamos tanto buscando acertar na criação e educação dos filhos como se nada pudesse sair errado? Nos cobramos diariamente por isso…

Por que nós somos tão pré-julgados pelos outros, criticados e alvo das mais cruéis e pouco sensatas comparações?

Por que nos permitimos chatear e oferecer satisfação a terceiros, sejam eles familiares, amigos da família e/ou pessoas mais distantes ainda, mesmo sabendo que os filhos são nossos e nossa prioridade é justamente sempre oferecer o melhor a eles?

Por que a sensação de que estão nos observando em todos os nichos sociais de que participamos? E isso não é mérito apenas dos pais e mães, já é uma característica cultural que me remete a pensar que mesmo a mil, com a correria e stress assolando todo mundo, a pretensão de se achar melhor do que o outro ainda impera em inúmeras regiões e nichos sociais do país.

Seria inocência imaginar que só estamos sendo julgados e criticados agora porque um dia fizemos isso também. Se você pensar bem, ainda que o ditado afirme que “a língua é o chicote da bunda”, o castigo nunca vem tão rápido e na maior parte das vezes, mesmo ao longo da nossa vida, ele nem vem. O que vejo acontecer é que as pessoas crescem e amadurecem a partir do que vivem, tenham sido elas os emissores ou receptores daquela mensagem.

Nos últimos meses o meu aprendizado como mãe e a vivência deste novo processo tem me proporcionado observar situações peculiares do comportamento social (neste nicho #família). Percebo que cada vez mais, indiferente da idade e região do país, mas claro, com muitas ressalvas a partir da bagagem familiar e pessoal de cada um, os novos pais e mães tem se dedicado integralmente aos filhos, conduzindo suas vidas a partir do interesse pelo bem estar e sucesso de sua criança.

Os pais e mães de hoje aceitam e defendem seus filhos (por sinal, cada vez mais eles são filhos únicos) como um projeto de vida, o maior deles. Àquele do qual querem se orgulhar e para o qual farão de tudo para alcançar êxito em todos os aspecto, diferente dos pais de antigamente, que eram apenas pais, cujos filhos eram apenas o fruto da sua união, ainda que amados incondicionalmente também.

Pessoalmente eu não vejo nada errado nisso. Mais do que natural, ainda que eu não seja autora de nenhuma pesquisa sobre o tema, essa reação social me parece reflexo de muitas lutas sociais e culturais vivenciadas especialmente nas últimas décadas do século passado. Alcançar novos direitos, espaço no mercado, equilíbrio entre os gêneros, maior respeito e direito legal às mulheres, a luta e aceitação de novos modelos familiares, entre outros exemplos, tudo é motivo para que hoje os filhos sejam sim, além do nosso bem mais precioso, o nosso maior projeto de vida.

Eu conversava, na última sexta-feira, com a  jornalista e blogueira Sam Shiraishi* (minha irmã mais velha) e com ela fazia essas reflexões acerca do quanto desejamos acertar na criação dos filhos, desde o menor rótulo de conveniência social – como racionalizar sobre os “prós e contras” de oferecer uma boneca ao filho/menino – até os mais simbólicos e representativos – como sobre o que dizer e como lidar com a separação dos pais ou a perda de um familiar querido. Percebi que nos fixamos muito no “excesso de racionalizar sobre versus o politicamente correto e esperado”.

A conversa com ela me rendeu ótimos pensamentos sobre esse tema e pasmem, ótimas risadas também, pois é muito interessante tentar “se colocar de fora” da criação e analisar a razão de tantas considerações a que nos submetemos diariamente.

Pais se preocupam com tudo num modo bastante amplo, mas o foco paira sobre o provento, sobre como sustentar a família.

E a mãe? A ela cabe todas as outras preocupações, desde as mais irrisórias até as mais críticas e decisivas, sendo que elas só parecem crescer. Atesto por mim. Às vezes acho que vou me perder num mar de dúvidas, considerações, questionamentos, dicas dos livros e revistas, conselhos e relatos acerca da escolha dos desenhos a assistir, da produção e moral dos filmes infantis, do politicamente correto, da observação das gravuras do livro, do contexto de vida de cada personagem, da fama da escola, dos hábitos familiares do coleguinha, do vocabulário menos apropriado da criança do vizinho, da conduta particular da professora, da localização do clube, da assiduidade na convivência familiar, etc e tal.

E quando eu freio tudo para tirar a dúvida sobre situações específicas, ouço elogios incríveis como: “você é uma mãe maravilhosa; mais do que tem feito, impossível; eu não fui tão boa mãe quando você; quero fazer um terço do que você faz para seu filho quando eu tiver um; não se cobre, por mais maravilhosa que seja nenhuma mãe é perfeita, pois as pessoas e isso inclui o próprio filho, sempre acharão algo novo para criticar…”

E aí a sensação de “aprovação” aparece e por alguns instantes a gente se cobra menos, pois tudo indica que estamos acertando. Vêem que interessante? Eu disse “aprovação” e foi intencional claro, porque é um absurdo qualquer mãe precisar ser ou se sentir aprovada, quando não há ninguém melhor do que ela para saber dos próprios esforços, erros, acertos e por fim, êxito para com a criação de um filho tão amado.

Parece incrível, mas conversando com outras mães em situações habituais do nosso cotidiano familiar, percebo em todas elas a necessidade de “se lembrar” do quanto não devem exigir demais do filho, especialmente do mais velho, porém como isso é muito comum de ocorrer, de como devem “esperar que os avanços sejam graduais” no desenvolvimento do bebê, embora isso seja difícil e no quanto se sentem ” frustradas e/ou pressionadas” pelos comentários nem sempre agradáveis de amigas sem filhos e/ou pessoa da família. Falam muito sobre terem deixado de trabalhar – e isso me toda diretamente – priorizando a criação do filho e acompanhamento de seus primeiros anos mais de perto em detrimento à carreira e/ou projeção/status profissional. Só constato que mesmo decisões super elaboradas por cada uma dessas mães, podem virar perda de sono e stress quando elas se vêem diante da dúvida motivada por tantas críticas e isso é uma coisa surreal se a gente parar bem pra pensar!

Essa “bandeira do filho como projeto de vida” e os hábitos arraigados na população (aqueles de interferir na vida alheia) são, pra mim, circunstâncias que tem oprimido muitas mães, porém acho que podem haver reflexos muito positivos em tudo isso, afinal quanto mais incomodadas, maior a chance de mudarmos isso tudo. E por que não?! Mães unidas jamais serão vencidas, hahaha :)

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5 Responses so far.

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