Solidão de mãe, texto de Fabrício Carpinejar
Gostaria de indicar a leitura desse texto preciso sobre um dos maiores desafios da maternidade, especialmente nos primeiros meses como mulher-mãe. A autoria é do jornalista e escritor Fabrício Carpinejar e me foi gentilmente enviado por uma amiga querida, Maria. Obrigado.
Solidão de mãe
(Fabrício Carpinejar - O Amor esquece de começar – Crônicas /2006)
A maternidade é uma solidão sem tamanho. Depois da festa do batizado, os conhecidos desaparecem. Podem até elogiar o bebê e fazer voz infantil em encontros esporádicos. Firma-se uma segregação silenciosa e terrível. É imposição de que a mãe saiba o papel naturalmente e possa suportar a desvalia. Enxergam o filho como um troféu, porém não reparam que o campeonato está no início. Talvez
Nenhum homem entenderá, mesmo que seja participativo. O humor muda, o corpo perde a sua rigidez e fica tão cansado que nem encontra estímulo para o sexo.
Parece que não haverá saída. Mesmo com a babá, uma escapadela de quinze minutos e já se estará telefonando apavorada para casa, pedindo relatos detalhados dos últimos instantes.
Instala-se a culpa, culpa social de aproveitar a vida, pavor social de que possa vir a ser acusada de negligente. Claro que são fantasmas. Fantasmas da vulnerabilidade.
Ainda bem que ela tem um trabalho para pensar em outra coisa e se sentir útil. Imagina o que sofreram nossas avós?
Adianto, é uma fase provisória. Não é desperdício de tempo, ainda que raros a valorizem. O filho crescerá e descobrirá isso com seus próprios olhos.
Não desanime e procure se distrair. Estabeleça horários para a sua diversão, mesmo que seja um cinema sozinha ou um passeio no parque.
A questão é preservar o raciocínio, a confiança e o humor.
Diante das dificuldades, verbalize e destile veneno. Fale o que a incomoda de cara ao marido ou aos familiares, sem deixar que a preocupação se transforme em raiva reprimida.
A risada e a espontaneidade desestressam.
Não será o jornal ou a fofoca no cabelereiro que a deixarão feliz – se bem que eu não conseguiria viver sem os dois.
O primeiro passo é fortalecer a estima, comprar – por exemplo – flores que sejam para desperta a mudança. Ou escrever um diário para sujar bastante papel e exorcizar a carência.
Não aguardar, guardar as gentilezas.
Não se deixar levar pela rotina, como se não houvesse a possibilidade de algo novo em seu dia.
Não vale se confinar no quarto e se desculpar por antecipação, pois ninguém a entenderá.
Quantas vidas enfrentam uma situação semelhante? Os amigos surgirão da vontade de convivência, da empatia, da identificação, do seu bem-estar. Os amigos são seduzidos, assim como os amores.
A exclusividade apaga a personalidade.
Viver para o filho não é bom: deve-se aprender a viver com ele.
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Na sequencia, post com desabafos de mães no melhor estilo “esse texto foi acertado pra mim”…











[...] Solidão de mãe, texto de Fabrício Carpinejar [...]
Solidão de mãe, texto de Fabrício Carpinejar: – http://tinyurl.com/ycazspl #familia (via blog)
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Ti, considero que o texto é perfeito para descrever o sentimento que é único, porém acomete a todo o gênero e se transforma sem deixar de existir e pude identificar muito nitidamenteo processo que você viveu recentemente e do qual fomos(perdoe-nos) meros expectadores, sem dividirmos com você o peso da tarefa, doce, porém árdua e solitária tarefa de ser mãe. Você tem sido exitosa e o CJ saberá disso. Parabéns mamãe.
Tiffany Reply:
março 15th, 2010 at 9:44 am
Obrigado mãe, suas palavras são sinceras e a leve mágoa que pude identificar aí não é justa…
Mesmo à distância e com poucas visitas/encontros vocês quarto avós tem sido presentes na vidinha do CJ tanto quanto se estivessem aqui e tenha certeza de que me ajudaria muito a presença de vocês se delas eu pudesse desfrutar para longos papos, cafés da manhã e da tarde demorados cheios de assuntos para discutir e/ou bobagens para fofocar. Talvez a solidão de mãe, de qualquer mãe, fosse menor se tivéssemos boa companhia para esses pequenos momentos do dia… Um beijo. Ti
Olha esse texto não diz tudo, mas uma boa parte do que podemos sentir a longa caminhada que é a vida de nossos pequeninos, eu sinto esse vazio com os mais velhos, que já estão mais independentes, mais confiantes de suas decisões, mais certos de seus desejos e vontades.
A gente como mãe se doa muito, se entrega de corpo e alma aquele pequenino ser que nos é entregue ali na sala de parto, nosso amor é incondicional, nossa liberdade e entregue a ele, desde primeiro momento de concepção.
Deixamos de lado o eu e viramos o nós, e a partir desse nos, nosso mundo se transforma da maneira mais inacreditável que possa existir, nossas bolsas antes carregadas com maquilagem, carteira e celular, agora encontrasse roupas de bebê, fraldas, lenços, mamadeiras e entre outras coisas que julgamos necessárias para o bem estar de nossos pequenos.
Por mais que um filho seja para sempre temos que ter em mente de que a vida dele não será nossa para sempre, chegará o dia em que teremos que vê-lo partir para novas conquistas da vida e nesse dia descobriremos quem nos somos novamente.
Um beijo com carinho
Jô