Valores morais que deveriam estar embutidos no esporte
Como é engraçada a vida… Como são fugazes os momentos de Glória e Redenção. Mais que isso…
Como é tênue a linha que separa o amor dos sentimentos de pertencimento, cobrança, obrigação, fidelidade e satisfações pessoais.
E como pode ser egoísta esse amor? Como é capaz de gerar e nutrir a raiva, o rancor, o despeito e as retaliações?
Eu saliento esses sentimentos porque me preocupa e faz pensar nos valores morais, de convívio social e inter-relações embutidos ou não nesse contexto. Que valores estamos transmitindo a nossos filhos que testemunham nossas ações e palavras diariamente?
Como educar e racionalizar quando exemplos irracionais se sobressaem até mesmo numa relação de Torcedor X Time de futebol?
Neste final de semana, eu que sou fã assumida do esporte que simboliza a melhor ferramenta de pão e circo – do entretenimento para a massa – dos últimos séculos, o futebol, tive que acalmar meu coração que bate forte pelo São Paulo Futebol Clube para ver sagrar-se Campeão Brasileiro da primeira divisão de 2009, o Clube de Regatas Flamengo. Cariocas, me perdoem, mas eu torci contra vocês. Torci, não porque o Clube Flamengo não merecesse um título após 17 anos de jejum, mas porque é muito chato acompanhar a alegria, as provocações e piadas dos torcedores de qualquer time adversário. Mas, é regra nesse jogo, não é mesmo? Um perde e o outro ganha. E quem ganha, em algum momento fez por merecer, embora nem todos queiram assumir publicamente. Assim, parabéns Flamengo – Hexacampeão!

Mas e por que a alegria não pode ser completa? Por que afinal uns perdem e outros ganham? E quem perde, está perdendo “o que” na verdade?
O que eu tenho pra dizer eu direi lá, no Couto Pereira. Na minha casa, onde eu me sinto imbatível. É lá que eu vou buscar as forças que não encontro nas palavras dos dirigentes ou no empenho dos jogadores; eles todos que relegarei a um segundo plano, agora. Mas de quem eu não me esquecerei de cobrar, depois.
Irei pelo meu clube, pela minha Camisa, para honrar a benção de poder ser torcedor do Coritiba. No Alto da Glória, onde eu entro horas antes do jogo, e saio apenas porque sou obrigado, eu me sinto invencível. E é isso que eu quero passar aos homens que irão vestir a Camisa Alviverde no domingo. Não quero que lutem por mim, pois eu escolhi esse caminho. Quero que lutem pelo Coritiba, que eu vejo acima de tudo, e que é a razão para eu estar ali. E vou gritar Coxa! tão alto, que eles não terão como desprezar o meu grito, nem mesmo por estarem com as malas prontas para seguirem suas vidas. (Fonte: Coxanautas. Texto de Marcus Popini, cônsul do Coritiba no Rio de Janeiro, em 01.12.09)
O desabafo apaixonado que você leu acima é um trecho da coluna de Marcus Popini, curitibano, torcedor fiel e incansável do alvi-verde paranaense. Amigo de meu marido Juliano, outro fiél e angustiado torcedor do Coritiba que agora já sofre pensando na falta de investimentos que o Clube deixará de angariar a partir de 2010, Popini representa e comanda outros torcedores do Coxa aqui em terras cariocas, onde hoje, balançam hasteadas apenas bandeiras do Flamengo, por justa causa.
E por que indiquei esse trecho para leitura? Por que lembrar do Coxa, que divide ao término do Campeonato Brasileiro desse ano, a tristeza do rebaixamento (leia+) com outros três clubes brasileiros? Simples…
Porque ontem nós todos, brasileiros, pais e filhos, testemunhamos uma verdadeira batalha a olhos vivos – com transmissão de emissoras de televisão inclusive – acontecendo em pleno Estádio Major Antonio Couto Pereira, após o encerramento da partida empatada em 1 x 1 entre Coritiba e Fluminense (viram? os cariocas sempre presentes nas nossas vidas). Partida essa que, somada a uma combinação de outros resultados do Campeonato, rebaixou o Coritiba para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro. Lamentável, triste, sofrido, talvez até nenhum pouco merecido se avaliada a participação amorosa e dedicada de inúmeros torcedores que elegeram neste ano, como símbolo da força da torcida, as pólvoras e luzes coloridas em verde para trazer ao seu estádio o Green Hell (traduzindo, inferno verde) e que neste último confronto foi de cara pintada e muito fôlego no peito para gritar bem alto, a exemplo de Popini, Coxa!

Contudo, o que se viu foi uma lastimável, assombrosa e vergonhosa manifestação do que a turba enlouquecida – como concordou comigo o Rafael, nosso outro amigo Coxa que aqui conosco assistiu a partida – é capaz de realizar. Violência gratuita, chutes, pontapés, pauladas de madeira, de ferro, do que se encontrou no caminho geraram correria, pânico e destruição, além das punições que o Clube sofrerá, mas que virão mais pra frente, estes são prejuízos a colher. Resultado: torcedores e policiais feridos, pessoas com risco de morte, apreensão e vergonha. (leia +)
Aí eu volto a pensar e falar como mãe: perder um jogo, descer a uma categoria inferior na disputa, isso justifica a violência? O que os pais que levaram seus filhos pequenos ou mesmo adolescentes – como os tios de meu marido costumam fazer a cada rodada – irão dizer para seus filhos? Não pratiquem a violência, não é bonito, mas no estádio pode? E se pode, por que? Em casa a gente não quebra as coisas, não bate em ninguém… Tudo bem que nós costumamos “xingar a mãe do juiz” de vez em quando, mas agredir fisicamente achando que se está no direito de agir assim, na contagem de algum prejuízo que lhe possa ter sido causado? Ponham as mãos na consciência, povo!! Isso não pode se repetir. Onde ficou o espírito esportivo e os valores que se aprende em casa, como a educação e o respeito ao próximo por exemplo? Foram poucos os que fizeram o estrago – apesar do resultado da barbárie, mas muitos torcedores pagarão pelo prejuízo. Condenável e lamentável, volto a frisar. Como sãopaulina não pensem que fico triste, mas pelo marido e pelo meu filhote (que já contei aqui) ser Coxa Branco apaixonado, fico sentida mesmo…
Amor ao Clube sempre. Violência não. Paz nos estádios!! Está mais do que na hora e isso não é clichê, é real!












Valores morais que deveriam estar embutidos no esporte: – http://tinyurl.com/yk5xdvs #familia (via blog)
Como educar e racionalizar quando exemplos irracionais se sobressaem até como torcedores de futebol? http://bit.ly/7IqmtV
RT @samegui Como educar e racionalizar quando exemplos irracionais se sobressaem até como torcedores de futebol? http://bit.ly/7IqmtV
RT @samegui Como educar e racionalizar quando exemplos irracionais se sobressaem até como torcedores de futebol? http://bit.ly/7IqmtV
É nois Brexton! Espero que todas as mães se preocupem como vc! Mas teu filho torcer para o Coxa não pode não! Seu marido deveria ter mais responsabilidade, pensar em todo sofrimento que o Coxa traz para ele e não desejar o mesmo para o filho de vcs!
Tiffany Reply:
dezembro 9th, 2009 at 10:05 am
Meu querido,
tb espero que muitas mães sejam como eu, preocupadas com o bem estar dos filhos e com os exemplos que estamos gerando na prática, enquanto fala-se tanto em futuro, qualidade de vida, etc e tal.
Você vai comungar dessas minhas idéias assim que tiver filhos, até já consigo visualizar
Mas vai errar como eu na escolha do gosto pelo futebol, pode apostar.
Eu tive que deixar o filhote torcer para o Coxa para o bem do casamento, mas e você que planeja ensinar seu filho a torcer pelo “Curínthias” por livre e espontânea vontade?
Ehh…
Ti.
Eu creio que houve falta de planejamento. Todo mundo sabe que a torcida do coxa e do atlético são violentas em momentos extremos. A possibilidade de rebaixamento era real, então porque não houve uma mobilização maior das autoridades? Aqui em SP o policiamento é eficiente e preventivo. Se vc vai a um estádio de futebol tem um exército de PMS fazendo um trabalho preventivo (e olha que tem um fosso fundo no Couto, aqui no Morumbi o no Maraca é pular 1,5m e vc tá no gramado). Infelizmente o que ocorreu foi uma demonstração de que falta planejamento e ações preventivas das autoridades públicas para coagir marginais. Fica uma mancha na história dos 100 anos do Coxa, demonstra como Curitiba é uma cidade grande igual a qualquer outra do Brasil e de como precisamos evoluir, afinal temos no front uma Copa e Olimpíadas pela frente.
PS: Momento sarrinho:
Vale aqui salientar que graças a Deus sou TRICOLOR e nuca passei por vergonhas como essa! Segura nós em 2010…vamos SP vamos SP vamos ser campeões!!!! Pode falar qualquer coisa mas só o SP é Hexa o Flá é Penta e uma vez campeão da Copa União. Me provem que estou errado?!
Tiffany Reply:
dezembro 8th, 2009 at 11:49 am
Perfeito Gui… tem essa questão de como eram chamados os títulos, tá certo… Viva o SPFC Hexa.
Sobre o policiamento preventivo no estádio Couto Pereira, concordo totalmente com você e de fato creio que faltou planejamento. Numa entrevista do chefe do Comando da Polícia do PR, ontem, falaram em 700 homens do efetivo a disposição para aquele jogo, mas não se falou se os 700 estavam no estádio e imediações, se nos terminais, se espalhados pela cidade, que é o que acredito tenho sido feito… por isso os pm’s ficaram em desvantagem em relação aos torcedores violentos. Agora, lamento muito porque embora Curitiba possa ser sim uma cidade com problemas urbanos e estruturais semelhante ao de outras grandes cidades, ela ainda se sobressai em alguns requisitos e um fiasco deste, ligado ao esporte ainda por cima, só depõe contra a segurança da cidade e qualificação para receber jogos e eventos de maior público, como a Copa do Mundo, citada por você.
Perdem os torcedores do Coxa, que provavelmente ficarão sem mando de campo por um tempo, perde a Diretoria do Clube que está em débito com os torcedores e sócios e claro, os curitibanos dum modo geral.
Gostei que vc veio parar aqui no Blog. Obrigado por compartilhar sua opinião.
Um fraterno abraço TRICOLOR!!
Ti, o seu texto é preciso e verdadeiro, a sua reflexão é correta e interpreta muito bem o sentimento que está hoje presente nos corações das pessoas que desejam a paz para o mundo e tem seus anseios voltados para a construção de um mundo melhor, onde imperem o respeito ao direito de existir do semelhante, onde cada homem seja uma cidadão consciente e ativo no respeito, na solidariedade, no amor. Parabéns pela sensibilidade com que enfocou os fatos que mexeram fundo com o povo curitibano, paranaense e trouxe perplexidade a todo o Brasil.
Tiffany Reply:
dezembro 9th, 2009 at 10:01 am
Mãe, agradeço pela observação e aprovação do meu texto, sabe que sua opinião como a de todas as mães é muito importante para um filho.
Eu penso que muitas pessoas da nossa querida cidade, que como falou a Veronica noutro comentário, nós fazemos questão de enaltecer quando estando fora, por sua qualidade de vida, exemplos de planejamento e civilidade, estejam hoje entristecidas e envergonhadas pela falha na segurança pública, no planejamento após o jogo e no comportamento social de nossos jovens dum modo geral.
Preocupa aos novos, velhos, pais ou não, saber que a cidade exemplo, a Europa brasileira como exageradamente algumas pessoas costumam chamar, tenha sua imagem exposta de modo relacionado a violência e destempero do comportamento coletivo.
E essa Diretoria do Clube, o que disse afinal de contas? Estou vendo que vão fugir da responsabilidade e que alguns testas de ferro serão punidos para mostrar que há justiça, ainda que para poucos.
Concordo com absolutamente tudo, com exceção dos parabéns ao Flamengo, pois o que sua torcida fez nas ruas, não foi nada além do que a torcida do Coxa fez, apenas fizeram longe dos holofotes! E um time que tem uma torcida com esse tipo de comportamento não merece os parabéns, pelo contrário merece amargar mais 17 anos de espera.
Abs.
Tiffany Reply:
dezembro 9th, 2009 at 9:54 am
Bruno, sua observação está perfeita, afinal de contas esqueci de mencionar que na festa rubro-negra dos cariocas a violência também aconteceu, embora abafada pela mídia, mas assustando moradores, cidadãos e até mesmo torcedores do mesmo time.
É uma lástima em ambos os casos, dos Coxas e dos Flamenguitas que, para comemorar sentimentos de tristeza e alegria seja necessário fazer arruaças, atacar o patrimônio da cidade, agindo como vândalos e agressores em todos os sentidos.
Obrigado por comentar! Um abraço e bom trabalho!!
Ti, apesar de não esconder a satisfação de ver o Coxa na segunda divisão, sinto-me envergonhada por tudo o que aconteceu no Couto Pereira no domingo. Desde que moro no Rio de Janeiro faço questão de enaltecer as qualidades da minha cidade de origem, Curitiba, mas o Brasil todo pôde assistir a cenas que enfraquecem meus argumentos, segurança e civilidade.
Lamento ainda mais termos que frisar valores que deveriam ser intrísecos à vida em sociedade, como respeito e solidariedade. Especialmente num momento de lazer como assistir a uma partida de futebol. Mesmo que o amor ao Clube transcenda “a simplicidade do final de tarde de um dia de domingo”, não se pode “fazer tudo” em nome deste sentimento.
Tiffany Reply:
dezembro 9th, 2009 at 10:13 am
Vero, acertada essa sua frase:
Mesmo que o amor ao Clube transcenda “a simplicidade do final de tarde de um dia de domingo”, não se pode “fazer tudo” em nome deste sentimento.
Concordo totalmente!!
Ti
http://blogdati.com/2009/12/07/valores-morais-que-deveriam-estar-embutidos-no-esporte/
Parabéns Ti pelo post, antes tarde do que nunca.
Não comentarei sobre a queda… no final de 2010 voltaremos.
Sobre a violência no Couto, concordo com você, lamentável!
A minha preocupação não é com a imagem da cidade de Curitiba e sim com a segurança nos estádios. Infelizmente a violência acontece em todos os lugares graças a poucos marginais infiltrados em todas as torcidas organizadas deste país. O Coritiba com isso foi punido de maneira exagerada com uma punição nunca aplicada no futebol brasileiro, servindo de falso moralismo para a grande mídia do eixo RJ-SP. Não estou defendendo o ocorrido, mas prejudicar um clube e os verdadeiros torcedores em mais de um ano, sem assistir o time do coração em seu campo, não vai adiantar nada. Punição sim, mas aos verdadeiros marginais!