Babás: elas tem nome?
Pense bem: Não seria a Babá uma profissional fundamental para o bem estar da sua rotina familiar?
Ou ainda: mesmo que você não precise de uma babá em tempo integral, invadindo sua rotina, a intimidade da familia e sendo a responsável por algumas tarefas (como educar, brincar, amar, ensinar) que deveriam caber a mãe e ao pai, ou seja, sendo a responsável por manter um estilo de maternidade terceirizada… ainda assim ela não teria nome?
Por fim: Que mãe já não precisou de uma auxiliar, babá, baby-sitter, assistente, enfermeira ou até empregada doméstica para ficar com seu bebê ou filho maiorzinho justo no horário daquela reunião de trabalho, prova de faculdade/mestrado/pós, aula de academia, compromisso com as amigas ou consulta médica? Ah, claro, e também para lhe facilitar a ida ao cinema ou um jantarzinho, pelo menos 1 vez ao mês?! Se você é mãe, mas nunca contou com “essa facilidade”, digo – respeitosamente – com a ajuda de uma profissional para cuidar, amparar e entreter seu filho enquanto você sai ou trabalha fora, acho que está entre a grande maioria de mães desse mundão afora…
Tomo como base a obra de Emma McLaughlin e Nicola Kraus o filme “The Nanny Diaries” protagonizado por Scarlett Johansson e que apesar de trazer alguns clichês do universo rico e fútil da nata norte-americana (ou estadunidense como alguns preferem falar), também aponta o “calo” de muitas famílias por aí… Confesso que, ao saber do filme, achei que a atriz tão cheia de talentos havia embarcado numa canoa furada ao protagonizar um filme tão mediano, despretensioso, digno de sessão da tarde… porém, para calar minha boca, assisti e achei as críticas referente a estrutura da família, ao amor pelos filhos, ao casamento e a estratégia de tentar “manter as aparências” embutidas no filme muito relevantes, o que me levou a refletir sobre o assunto nas últimas semanas.
Um pouquinho sobre o enredo e quem não viu o filme logo começará a entender do que estou falando: dinâmica mas sem experiência de vida, tão pouco profissional, a recém-graduada antropóloga Annie decide provar que consegue ganhar o mundo sozinha e que não dependerá mais da mãe, jogando-se num ambiente novo e desconhecido, o trabalho como baby-sitter junto a família denominada de “X`s”, na rica sociedade nova-iorquina. Inicialmente, Annie assume o seu trabalho como um estudo científico, que lhe permite analisar pessoas, rituais e ambientes, mas no decorrer Annie deixa-se absorver pelo seu exigente cargo, permitindo os mais variados abusos por parte do Casal “X” e em paralelo, como se isso fosse a justificativa, vai se encantando e criando laços afetivos com a criança de quem deve cuidar, diga-se de passagem, em tempo integral. O desafio é confrontar a vida que os pais levam com essa criança e achar a si própria. O fim é feliz, não tenham dúvida.
Ah… importante salientar, tb é uma bela homenagem à eterna rainha das babás e crianças: Mary Poppins, a babá perfeita eternizada na pele da atriz Julie Andrews, pelos estúdios de Walt Disney. Lembram dela?
Recentemente na reportagem “Você tem ciúmes da babá?” promovida pela Revista Crescer a apresentadora de televisão Angélica disse ter ciúmes da babá e não exitou em afirmar que “quando percebe que seus filhos, Joaquim e Benício, estão muito apegados com a babá, ela logo dá uma folga para a empregada”. Assim como acontece com o desabafo de outras mães, cuja maior aliada é a babá – ainda que não a tratem pelo nome de batismo e como sujeito de extrema importância em seu ambiente familiar – Angélica e outras mães desde as mais famosas às anônimas geram mexericos e críticas quando se assumem ciumentas, possessivas ou controladoras em relação a interação dos filhos com as profissionais que deles tomam conta. Percebi nitidamente isso quando acompanhei a repercussão dessa “confissão” de Angélica em algumas rodas de discussão feminina. Caminhando sob essa ótica realmente não é incomum mães como a do filme “The Nanny Diaries” demitirem a “profissional Babá” quando percebem que esta ocupa lugar importante na vida, rotina e coração do (s) filho (s).
Será que mandar embora ou dar folgas longas corrige algo nesse processo todo? O que você acha?
Como a própria Crescer abordava, são muitas as perguntas que passam pela cabeça dos pais quando contratam uma babá:
- será que meu filho vai acabar reconhecendo a babá como mãe, porque a mãe permanece muito tempo fora de casa, no trabalho?
- mesmo podendo contar com o auxílio da babá, cabe a mãe realizar cuidados básicos com trocar fraldas, dar banho, papinha?
- e quem leva para o passeio afinal de contas? A babá que foi contratada para isso entre outras funções ou a mãe em seus momentos de folga do trabalho ou atividade que lhe toma tempo semelhante?
- a babá está realmente está ali a postos para a mãe descansar do filho e ter momentos para si, para continuar sentindo-se como mulher, cuidando da sua auto-estima ou ela deve estar apenas para contribuir em momentos mais específicos?
- como manter a distância da intimidade da família, do casal em relação a esta profissional?
- como estabelecer limites no que a babá pode e deve ou não interferir na educação de seu filho? Uma linha tênue, será que tem receita pra isso?
Como diz a Revista as babás, “que geralmente surgem na família junto com o primeiro filho, também chegam sem manual de instrução”, o que justificaria o surgimento de conflitos e dilemas entre os pais e familiares, mas especialmente na cabeça das mães. Eu salientaria ainda uma convicção minha – ressalto, uma verdade pra mim não generalizada – é de que no fundo, no fundo nenhuma mulher gosta da competição em que desde início pode se prever ficar em desvantagem. Ainda mais quando o prêmio ou desafio é cuidar do próprio filho. E certamente penso que tratar as babás com menosprezo (sem citar seus nomes) ou negar a elas o valor que merecem por cuidar de quem nos é mais precioso – os filhos – é ridículo!

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Curiosidade: Mary Poppins é o primeiro de uma série de oito livros infanto-juvenis escritos pela escritora australiana Pamela Lyndon Travers ou (P.L. Travers), e publicado originalmente em1934. Tornou-se o primeiro de uma série de livros no qual o personagem principal, uma babá mágica inglesa, vem do nada em uma tempestade de vento para cuidar das crianças da família Banks. A Disney adaptou o livro para o cinema, em 1964.
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Babás: elas tem nome?: – http://tinyurl.com/yfjazq9 #familia (via blog)
Lembro bem que compartilhamos indignação sobre os comentários de algumas mães citadas na reportagem da Revista Crescer.
Conheço boas e felizes histórias da relação com as babás. De admiração por parte dos filhos mas tbém das mães. Se a relação da família com a babá for saudável só trará benefícios a criança, é mais um elo com o mundo fora da segurança do lar. Acredito que isso contribua para a socialização da criança que passa a confiar em outra pessoa além dos pais.
Ora, a mãe que dá atenção e carinho ao filho nunca terá seu lugar tomado.