Profissão de esposa: você escolheria?
Estou em viagem acompanhando marido e filho numa semana de folga oferecida pelo trabalho de meu marido. Sempre que viajamos assim, fora do período de férias, eu faço algumas ponderações sobre as viagens, a quebra de rotina e mudança de hábitos, comum às famílias com crianças, especialmente quando a hospedagem é na casa dos avós… Assim eu comentava sobre as janelas de horários e viagens inesperadas com minha mãe e uma amiga, dias atrás, quando me deparei com a seguinte reflexão: caso eu ainda estivesse trabalhando fora, como ficariam essas folgas e viagens motivadas pelo trabalho e/ou folgas do marido?
Fiquei “trabalhando” a idéia motivada por relatos que, coincidentemente ou não, acabei ouvindo por aí e constatando antecipadamente a obrigatória diminuição das nossas viagens a partir do próximo ano quando meu filho ingressar na escola e tivermos que seguir rigidamente o calendário escolar, dentre outros compromissos sociais. Quando nossas obrigações são apenas com a família nós dominamos o calendário e o relógio, certo?!! Mas quando nossos compromissos vão além…
Donas de casa, mães, esposas, mulheres que em nome do amor ao marido, aos filhos, ao bem estar da família abdicam de sua profissão, de uma potencial carreira profissional, às vezes da realização pessoal e reconhecimento social merecido e necessário para a auto-estima de qualquer pessoa, muitas delas optam por um caminho e acertam, sendo felizes, outras, sofrem e se arrependem. Por que estou trabalhando essa idéia? Por que li há pouco um artigo no Bolsa de Mulher, site vinculado ao Portal MSN que trazia o título “profissão: esposa – ainda tem homem que faz cara feia quando a mulher sai para trabalhar”. Lendo a matéria, breve, mas com relatos de diversas mulheres, mais uma vez constato que nos dias atuais maior que o dilema de optar entre o cuidado integral à família versus manter-se trabalhando fora, empregada, a mulher vivencia o receio, a insegurança e as frustrações que as observações intrometidas de conhecidos, familiares e até desconhecidos, lhe acarretam, sendo obrigada a viver subjulgada pelo preconceito alheio, que aliás, não tem o direito de existir. Pior que aguentar o falatório dos vizinhos e as lamúrias de familiares mais críticos é quando a mulher que optou amorosamente por essa função do lar (esposa+mãe+dona de casa), que diga-se de passagem, é árdua, não tem horário para acabar e soma inúmeros problemas para serem enfrentados e vencidos diariamente, dá-se conta de que não voltou e nem voltará ao mercado de trabalho apenas pelo ciúme ou possessividade do marido e quem dirá, as vezes, até dos filhos. Acho que é aí que a casa cai e muitas uniões se desfazem.
Décadas atrás as mulheres viviam passionais e submissas se rendendo aos caprichos (porque ciúme é capricho de gente egoísta e insegura, convenhamos) dos maridos, sendo que estes estavam amparados por convenções de uma sociedade machista, que entendia ser comum subjulgar as mulheres e até menosprezar sua capacidade intelectual. Passados anos e conquistas culturais/sociais/econômicas, as mulheres passaram a ser respeitadas, oportunidades surgiram a medida que foram demonstrando seu potencial, comprometimento e dedicação. Assim, penso que hoje, quando uma mulher que optou por ser esposa, companheira, mãe e dona de casa esta sabe o que está fazendo, ainda que a contra-gosto de alguns, pois conhece a gama de possibilidades no mundo ao seu redor, mas também conhece a real importância de sua presença dentro de casa. Mesmo em famílias onde a situação financeira é melhor e os pais poderiam contratar uma babá, empregada doméstica e afins, muitas vezes a mulher opta por tê-las, mas sob o seu comando/supervisão, a fim de garantir o bom andamento e harmonia do lar.
A especialista entrevistada no Bolsa aponta, sobre esses mandos e desmandos de marido, o seguinte: “O problema é quando o não gostar torna-se um imperativo sobre a mulher, revelando problemas nas bases da relação”, explica a psicóloga. Maria Helena Junqueira ressalta ainda que muitas mulheres optam por não trabalhar fora e acabam exercendo um papel fantástico dentro de casa e junto aos filhos. “Mas cabe a ela esta decisão, uma vez que a mulher não deve ser submissa ao marido, e sim companheira dele”.
Não dizem por aí que “as mulheres são a rainha do lar”? Ah, dizem também que “por trás de um grande homem (leia-se bem sucedido), há sempre uma grande mulher”, não é mesmo? Então, de fato o são. Em lares onde a família é bem estruturada, há um elo de harmonia, respeito e amor mútuo entre marido e e mulher e esta optou por estar apenas dentro do ambiente familiar, elegendo as prioridades para o bem estar do marido e filhos, regendo as necessidades, regras e rotinas, certamente você encontrará uma família feliz. Não que outros padrões de família não o sejam, felizes todos podemos ser, desde que buscando isso… eu ousaria dizer até que em famílias onde o homem fica em casa assumindo as responsabilidades domésticas e com os filhos enquanto a esposa assume a subsistência de todos num emprego formal fora de casa, as chances de êxito são grandes também. O que seria igual para ambos os sexos é a sensação de certo ou errado, de ter optado pela melhor escolha, porque embora pareça claro que ser esposa ou esposo, do lar, é uma sublime escolha, as cobranças externas são muitas e frequentemente ocasionam reflexões, dúvidas, anseios e até depressão em que vivencia esta posição.
Ontem, uma vizinha de anos, próxima dos meus pais (onde estou no momento) veio conversar e acabou, bastante magoada, chorando e desabafando conosco. Dizia ela: “me formei em Direito há 28 anos atrás, mas nunca exerci a profissão, pois me casei no mesmo ano. Meu marido trabalhou tinha sua empresa, vivemos sempre muito bem, tivemos 2 filhos lindos e saudáveis a quem me dediquei com todo o coração. Hoje, estamos ficando sós, meu marido e eu, os filhos já formados estão para sair de casa e um deles me interpela com frequencia dizendo: mãe, você não faz nada da vida, por que não arranja uma atividade?”
Gente, até eu senti vontade de chorar, mas de raiva desses filhos ingratos e desse marido, nitidamente indiferente. Uma mãe dedicada, esposa querida, cuidadosa, tem uma casa impecável, faz academia, é super enxuta – do tipo coroa em forma mesmo, a la globais – faz peças de artesanato, administra a casa da cidade e da praia, está presente em todos os compromissos sociais do marido e família, ah e não tem empregada e detalhe, ainda cuida dos filhos mesmo que adultos. Ou seja, cabe a ela ainda manter essa família unida e como em muitos casos onde a mulher passa a se ver diante de um segundo dilema – o da idade e dos filhos fora de casa – é vítima da falta de gratidão dos filhos, que não percebem quanto amor, cuidados, atenção e melhores anos de uma vida foram-lhe oferecidos 24horas por dia durante todo esse período.
No caso dessa vizinha vejo e, aí aproveito para retomar, o caso sugerido na matéria do Bolsa de Mulher, que pendia mais exatamente para a imposição de maridos para que as esposas não trabalhassem fora e a partir daí, como as mulheres lidavam com o assunto. Creio, apesar de ainda ser uma mera balzaquiana ousando filosofar sobre a vida e os relacionamentos, que a decisão de ser ESPOSA precisa ser discutida, bem avaliada e diferida pelo casal para que nada os atinja e estes saibam conviver em harmonia com as críticas e pedras que surgirem pelo caminho.
Agora, ainda que nova, posso dizer com propriedade que por mais legítimo, notável e valoroso seja ter uma mãe que trabalhe fora, que construa carreira e obtenha lucros com ela, realizando-se profissionalmente e nos orgulhando com isso, nada substitui ter a mãezinha em casa com seu olhar protetor, com o calor de seu colo, a segurança de sua voz e o impulso de sua motivação, de suas palavras para tudo que precisamos fazer. Nada nem ninguém substitui a segurança emocional que o amor de uma mãe oferece… é importante salientar isso.
Vejam só: se eu que sou MÃE/MULHER penso assim, quando o lado emotivo fala mais alto, você acha, sinceramente, que os maridos/homens pensam o que?










Profissão de esposa: você escolheria?: – http://tinyurl.com/ycvnpae #familia (via blog)
Blogged Profissão de esposa: você escolheria?: http://tinyurl.com/ycvnpae
Excelente texto! Estive nos dois extremos e confesso que já “olhei” de cara feia a mulher que não trabalhava, estava sempre disponível e vivia na porta da escola dos filhos. Hoje, sem trabalhar fora, reconheço que é um dia-a-dia bem cansativo, mas prazeroso. Ah, e no meu caso não seria Profissão: Esposa, e sim, Mãe, porque eu não ficaria em casa e abriria mão de alguns sonhos se fosse apenas pelo meu marido!
Beijos
Tiffany Reply:
novembro 6th, 2009 at 1:50 pm
Evellyn querida, obrigado pelo excelente, adorei.
Acho que está certa, “profissão: mâe” combina mais com você e na verdade, comigo também, mas não pude evitar trabalhar o texto com essa idéia porque antes de ser mãe, apesar de pensar na constituição de uma família, eu mudei muita coisa nos meus hábitos e vida em função do marido, seguindo ” preceitos antigos” de como ser uma “boa esposa”, como mudar de cidade e apoiá-lo em sua carreira. Mas hoje, com a chegada e presença integral do CJ em minha vida, ser mae é a maior realização que poderia ter e claro, esta “tarefa” acabou virando o pilar das nossas vidas e do casamento.
E aliás, são “profissões” as de mâe e esposa, muito exigidas, não acha? Merecemos todos os mimos depois, porque invariavelmente estamos pensando e cuidando deles até na hora de dormir…
um beijo
Nada mais prazeroso do que estar presente e ativa na vida dos filhos. Tenho muito orgulho disso. Eu trabalho em casa com horários flexíveis e não pego mais do que o permitido, ou seja, nada que comprometa a minha presença na rotina do meu trio.
Eu tive o mesmo pensamento que a Evellyn: Pelo meu marido eu não abdicaria de nada, até porque ele é muito a favor da minha vida profissional, mas fizemos um trato a respeito disso e eu quero mantê-lo até quando for possível, isto é, ser Mãe em primeiro lugar, o restante fica em segundo plano.
Beijos,Aline