Desmamar o bebê, quando e por que?

Posted by @blogdati On outubro - 26 - 2009 9 Comments

Quando meu filho completou 1 ano de idade comecei uma batalha comigo mesmo, com ele e com as discordâncias que escuto por aí. Minha batalha é diária, intensa, sofrida e com muitos algozes, diga-se de passagem.

Para contextualizar melhor, devo dizer que sonhei a vida toda em amamentar meu filho, quando tivesse um. Quando meu relógio biológico tocou e eu comecei a me interessar mais, ouvir e ler mais sobre maternidade e amamentação, atenta aos depoimentos constantes em revistas e livros da área, percebia grande enfoque na “insegurança de mulheres sobre a amamentação” e uma série de dicas, simpatias, regras e orientações sobre como fazer para ter leite, como amamentar, como se ajustar ao bebê, como preparar o peito (e o bico do seio), a importância da amamentação materna, etc e tal. E o engraçado é que eu NUNCA achei que passaria por isso. Incluía em minhas orações, durante a gestação, o desejo de ter muito leite e ver meu filho mamando olhos-nos-olhos comigo, mas nunca receei não saber como fazê-lo ou que teria qualquer dificuldade para amamentar.

foto de arquivo pessoal de Tiffany Stica para post sobre amamentação, no blogdati.com

Meu filho nasceu e começou a mamar quando nos encontramos no quarto, quase três horas depois do parto, que não foi humanizado e nem natural, mas ocorreu de modo tranquilo e no tempo que, entendo, deveria ter sido, apesar das críticas que ouço de muitos a respeito das cesáreas e do agendamento do dia do parto. Enfim, com oito meses meu filho já comia papinhas, tomava suco, chás e água, mas ainda mamava vigorosamente no peito estufado dessa mãe. Nesta etapa tive mastite, cuidei com compressas de gelo, não tomei o remédio indicado pelo meu médico (sempre zeloso e mais preocupado com o bem-estar e independência da mãe), mantive a amamentação apesar da dor e por sorte, o leite continuou lá… desempedrou/absorveu e passou a vir menos intenso, mais regulado. E cá estou, 1 ano depois ainda amamentando. Acabei abandonando minha meta de amamentar meu filho apenas até 1 ano, pois ele não aceitou a idéia e com muito choro, muita luta e, recentemente, palavrinhas que sustentam seu diálogo para comigo, reivindica seus direitos diariamente.

Mas por que, se aparentemente está tudo bem, eu comecei o meu post daquele jeito sofrido? Porque a opção que fiz de amamentar meu filho, que recém-completou 1 ano e 9 meses, até esse momento acarretou o envolvimento de muitas pessoas da família, do meu círculo de amizades, dos médicos da família e, estranhamente, da maioria dos estranhos que me olham na rua, quando necessito amamentar em público, ainda que eu evite bastante fazer isso :( De algum modo as pessoas, com a justificativa de se preocupam com o bem-estar da mãe, com a saúde do relacionamento emocional mãe-filho se julgam no direito de dizer quando e porque essa mulher deve deixar de amamentar seu filho. As pessoas, mesmo quem não tem filhos, acham que sabem o que é melhor para nós e com comentários pouco gentis, falam, falam e falam… Já cheguei a ouvir tantas coisas negativas na rua, sobre a amamentação materna e neste caso específico sobre a amamentação prolongada que, quando repito em casa, meu marido quase nunca acredita!

foto de arquivo pessoal de Tiffany Stica para uso exclusivo em post do blogdati.comUma vez uma senhorinha bem idosa, ao ver meu filho brincando na areia, num parque que costumamos ir, me disse assim: “ele é feliz, seu filho. forte. olha que sorriso lindo. é grande também, com certeza ainda não tem 2 anos, né?! Você deve continuar dando leite do peito, ele está indo bem”. Eu meneei a cabeça e sorri, nem consegui responder, apenas pensando em como é que aquela velhinha sabia que ele mamava no peito :) Agora, sabem por que me lembro dela? Porque foi, neste ano, uma das poucas pessoas que falou coisas positivas sobre esse assunto. O normal é ouvirmos “ele já está muito grande”, “se ele come de tudo, se tem um monte de dentes, por que não desmama de uma vez?”,  ”dói o seu peito quando/se ele te morde?”, “o que você faz para ainda ter leite? eu só amamentei até 6 meses, foi mais que suficiente”

Estranhamente, foi de uma das pessoas com quem mais tenho aprendido, nos últimos anos, sobre o êxito na maternidade – minha sogra – uma das coisas mais chocantes que ouvi: “Tiffany, é muito estranho e ruim ver ele mamando no peito sendo desse tamanhão. Não é mais um bebê, é um gurizinho, acho que não precisa mais, acho que não está certo”. Admito que me surpreendi negativamente quando ela disse isso, porque costuma ser muito passional e ceder aos encantos e necessidades afetivas dos filhos, é uma mãe maravilhosa e uma avó excepcional, mas como muitas pessoas por aí, guarda esse traço de preconceito social de ver uma criança maiorzinha mamando no peito. Isso é cultural e não sei quando mudará. Tenho visto pela internet o trabalho primoroso de muitas ongs, mães blogueiras, doulas e até profissionais da medicina para o esclarecimento dos benefícios da amamentação prolongada, mas o preconceito são maiores que o destaque dessas ações coletivas ou individuais, por isso tantas mães de primeiro filho – como eu – acabam sofrendo com a pressão de comentários piedosos, olhares curiosos ou reprovatórios e cobranças veladas e/ou evidentes sobre o tempo ideal para desmamar nossos filhos.

Eu, hoje, acho que o desmame é uma decisão da mãe com seu filho, mais ninguém tem o direitode emitir opinião sobre isso. Alguém fala alguma coisa sobre a forma com que você beija e abraça teu parceiro? Por que a amamentação desperta tantos comentários, como se fosse uma decisão de domínio publico? O controle social quanto à amamentação é imenso. Se a mulher não amamenta, ela é massacrada. Se ela prolonga a amamentação, ela também o é!

Pra mim, amamentar é um imenso prazer. Eu adoro essa conexão, essa relação de interdependência que se cria entre nós. E na hora de mudar essa relação, tem muitas questões a serem levadas em conta. O desmame ideal… eu andei os últimos meses me perguntando como é o desmame ideal. Qual a forma e momento ideal de desmame? (por Flávia Penido em Maternidade Consciente)

Esse trechinho citado acima, tirei do depoimento terno e poético de uma mãe de três, Flávia Penido, no site Maternidade Consciente, que descobri recentemente na web, justamente durante minhas peregrinações em busca de dicas e compreensão sobre o assunto. Flávia, aliás, havia escrito sobre o “desmame ideal” e “amamentar é uma arte de amor“, no seu blog Roda Bebedubem.

Aqui em casa, embora eu considere que expressei bem os meus sentimentos neste momento, a luta para convencer meu filho a deixar o peito e me permitir retomar o foco pra mim mesma, me cuidar mais e finalmente “cortar o cordão umbilical com meu filhote, fato que só se dá de verdade quando deixamos de amamentá-lo” – como disse Rosana Herman, blogueira e jornalista, em seu depoimento no livro coletânea Mães Corujas, deve continuar mais um tempinho.

Aprendi neste pouco tempo como mãe que as cobranças a respeito de tudo na vida do bebê, na vida de um filho são imensas e atingem proporções às vezes inesperadas, mas o progresso para vencê-las depende única e exclusivamente da relação mãe e filho e da segurança que esse bebê já adquiriu ou não. E no quesito segurança emocional, a amamentação e o amor de fazê-lo só vem a somar!

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9 Responses so far.

  1. O meu Augusto mamou até quase 2 anos. Confesso que ainda tenho saudades da época em que qualquer diminuição do apetite, tinha o respaldo do meu leite. Eu não me preocupava! Tá com febre, não quer comer, mama… Tá com o nariz entupido, mama que desentope… Tá na fase ruim de comer, o leite “me agarante”!
    Mas esse é um problema meu, de mãe…
    Ele mamou até quando quis! E se quisesse mais, teria mamado mais!
    Tudo seguiu de forma natural, por mais bobagens que eu tenha ouvido!
    Ele nunca pegou uma gripe!
    Ele não pegou catapora, apesar de ter tido contato com duas crianças na fase mais perigosa de contagio e estava sem vacina…
    Quer coisa melhor????

    Eu me orgulho muito de tudo isso!
    E você, acredito eu, deve se orgulhar de pensar como pensa!

    Tiffany Reply:

    Renata, fiquei feliz ao ler seu comentário que numa tônica de desabafo como foi o meu post, acaba servindo pra mim e para outras mães que possam vir a ler nossas palavras, como incentivo, apoio e exemplo. O meu filho, assim como o seu, ficou doente pouquíssimas vezes e acredito que “essa protação” seja sim o reflexo da força do leite materno. Tenha certeza que também me orgulho por fazê-lo – o amamentar – desde o nascimento até agora, isso sim. Minha luta é contra os olhares, as cobranças e críticas. Penso que quando estamos vivendo a experiência pela primeira vez nosso desejo de acertar é muito grande e por isso nos permitimos ser tão atingidas pela opinião alheia, talvez por medo de errar.
    Agradeço a sua visita e seu comentário, viu! Um abraço, Tiffany

  2. Aline disse:

    Tiffany,
    eu estou cá completamente perdida em relação a amamentar. Minha filha está com 8 meses come papinhas, almoça, janta e toma leite do meu peito. Ela nasceu com um hemagioma, ficou eem estado grave e hoje faz tratamento em SP todo mês.
    Tudo ia a bem só que agora ela está perdendo peso, acordando a noite inteira para mamar e a pediatra quer que eu de mamadeira. Todos querem!!! Não sei o que fazer. Ela não aceita mamadeira e me sinto culpada por ter amamentado exclusivamente. O que é o certo??? Estou tão cansada que nem sei se consigo retrartar o que está acontecendo. Ela faz tres refeiçoes grandes por dia (almoço, lanche e janta) a parte da manha e a noite ela só mama. Não quero prejudicar o crescimento dela. Queria dar de mamar e que ela ganhasse peso…

  3. ESTELA disse:

    olá!
    adorei encontrar teu blog, meio sem querer…procurando assuntos sobre desmame. o meu baby completa 1 ano e 4 meses dia 10/08 e ando preocupada com o desmame.Ao mesmo tempo que penso que peito foi feito pra isso, tenho medo da hora que quiser tirá-lo dele…já come de tudo, vai pra escolinha, e só mama à noite, as x fica pendurado a noite toda.
    obrigada por contar sua experiência, me fez não pensar
    no desmame ainda,
    bjos
    Estela

  4. [...] fim, como este meu post já está mais do que comprido, sugiro os posts Desmamar o bebê quando e por que?, Dicas de amamentação, sites e blogs relacionados , O difícil fim da amamentação e Perdendo [...]

  5. [...] – e para quem está com bebês crescidos, indico algumas reflexões dela, em posts como Desmamar o bebê, quando e por que? e Dicas de amamentação, sites e blogs [...]

  6. jessica disse:

    muito bacana esse teu blog amei mesmo eu tava procurando na internet alguma forma de desmamar minha filha que esta com 1ano e 4 meses e acabei lendo seu arigoe me fez relembrar como é imporante a amamamentaçao,deve ser por isso que minha gatinha nunca ficou doente e é tao forte.
    bjsss valeu

    JESSICA

  7. [...] crítica a respeito, pois me preparei da melhor maneira para todas as etapas. Fato. A favor da amamentação prolongada, eu amamentei desde o primeiro momento até os 2 anos completos e sim, sofri dores e tive alguns [...]

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