Há mais ou menos 1 mês fui contatada por Sam Shiraishi, jornalista e blogueira, editora do Blog A Vida como a Vida quer (e minha irmã) para participar de uma ação de blogagem coletiva com foco na inclusão digital em nosso país. A ação como ela mesmo descreveu no post Começou a Blogagem coletiva #inclusaodigital o objeto de trabalho voluntário de todos os blogueiros que aderiram a idéia (e aos interessados que surgirem pelo caminho) é ressaltar algum projeto de inclusão digital na sua vizinhança, na sua cidade, de ação empresarial (planos de responsabilidade social / terceiro setor), iniciativas governamentais ou de pessoas físicas apoiadas por ongs e outras formas de associação por esse Brasil afora.

selo2_amigosdoplaneta

A iniciativa e coordenação de Sam Shiraishi para essa blogagem coletiva (vide selo) se deve ao convite que ela recebeu do Amigos do Planeta, um projeto de responsabilidade social das Casas Bahia (isso, a mega loja de utilidades domésticas), que se propões a levar um caminhão itinerante super equipado com computadores e outros acessórios físicos e tecnológicos necessários para oferecer, somado a mão de obra especializada, cursos de inclusão digital e outros, com foco na vida social do cidadão, para a população de várias cidades da grande São Paulo.

Tanto Sam quanto Wagner Fontoura, editor do blog Boombust (com foco em mídias sociais), participaram ao público sua experiência após terem visitado um dos projetos desse “caminhão itinerante, na cidade de Diadema/SP, em meados desse mês de setembro. Nos posts expuseram fotos e cada um a sua maneira relatou detalhou detalhes do que mais lhe tocou naquela experiência de vida, compartilhando de um momento de novidade e descobertas na vida de brasileiros simples que conhecem apenas agora a máquina “computador”, a fascinante funcionalidade da internet e claro, percebem como isso muda a vida das pessoas…

Inclusao Digital Eu apóio / Projeto amigos do planeta / blogagem coletiva pela #inclusaodigital

Eu me sinto tocada pela simplicidade com que reagem as pessoas que nunca tiveram acesso ao computador, às facilidades proporcionadas pela informática no cotidiano profissional, acadêmico e doméstico nesse “primeiro encontro” porque já acompanhei muitas ações de inclusão digital, desde pequenos até grandes projetos, a maior parte de iniciativa governamental, creio eu, nos últimos 9 anos então… já vi pessoas rirem à toa, felizes por finalmente estarem sentindo-se parte do todo. Outras chorando porque “não se sentiam mais inúteis”, por Deus – como se alguém o fosse apenas por desconhecer o uso do computador?! Mas é isso mesmo, nesta linha de sentir-se não pertencente a um determinado grupo, da sociedade por vezes, é que muitas pessoas quando defrontam-se com a possibilidade de ter acesso, aprender e dominar o tal bicho (leia-se: computador) são dedicadas, determinadas e fazem por merecer.

Merecimento aliás é palavra digna de reflexão quando pensamos em duas coisas básicas: educação e inclusão social. Tantos querem aprender, nem todos tem acesso e a maioria desdenha as oportunidades que a vida, a sociedade, a família e o governo oferecem. Enfim, já me estendi demais e o objetivo aqui era compartilhar projetos que já visitei in loco ou que tenho conhecimento de causa para poder falar sobre. Pois gostaria de relatar duas experiências, em posts separados claro, pois todos sabem que escrevo demais e isso daria um livro de post único, hahahaha, portanto vou me policiar para escrever pouco.

A primeira experiência foi quando eu trabalhei, a convite de uma educadora e cidadã de alto valor, Angela Mendonça, como professora de inclusão digital no Projeto Consórcio Social da Juventude, em Curitiba/PR. O projeto ocorreu em 2004 e 2005 tinha financiamento do Governo Federal através de coordenação da Secretaria de Estado do Trabalho e Emprego. Sob organização do Estado, foram reunidas algumas Ongs que tinham trabalho idôneo e relevante na cidade e região metropolitana e a partir daí selecionados jovens adolescentes indicados pelas 7 ou 8 ong’s (a memória falha, perdão) para que recebessem por um período de 6 meses aulas de inclusão digital, social, lições de cidadania e atividades diversas em oficinas culturais profissionalizantes. Um grupo de exímios profissionais oriundos de diversos segmentos da sociedade (universidades, secretarias estaduais) somados à voluntários ligados a alguns partidos políticos constituíram o grupo base para esse trabalho e mais tarde psicólogos, pedagogos e outros profissionais foram contratados para que houvesse além do acesso aos computadores e infra-estrutura das oficinas um planejamento pedagógico que guiasse este aprendizado, o conteúdo e as avaliações para posterior continuidade do projeto. Afinal, quando há investimento governamental tudo precisa ser documentado e um feedback enviado à Pasta tutora do projeto para fins de avaliação e prestação de contas. A proposta final era, a partir do respaldo governamental, firmar parcerias com empresas da cidade para futura colocação profissional desses alunos participantes do projeto, como o Cinemark, rede de cinema presente em alguns shoppings da cidade.

Minhas turmas eram de alunos oriundos de uma Cooperativa de filhos de catadores de papel (lixo reciclável), atividade já bastante organizada em Curitiba, há anos, muito em função da política de educação ambiental implementada pelos governos municipais das últimas 2 décadas e bastante apoiada também pela Universidade Federal do Estado (com trabalhos focados na economia solidária e cooperativismo) e partidos políticos da esquerda. E a segunda turma, mais especial pra mim, por serem jovens com deficiência mental alunos de uma renomada escola especializada da cidade. Lembro que nas primeiras aulas eu levava um PC velho com as peças desmontadas para que eles tivessem noção das “entranhas do bicho”. O material era emprestado por um outro professor, profissional de informática e, assim que os meninos e meninas percebiam que embora frágil e merecedor de cuidados, o computador era mesmo uma máquina, enxergavam seus componentes e passavam a assimilar melhor aquilo com que iriam trabalhar. Depois, seguindo um programa de aulas feito por mim com suporte da coordenação pedagógica, íamos inserindo os acessórios do PC, os softwares, os programas, suas funções, facilidades, aplicações no dia-a-dia e por ai afora. Lembro que eu passava filmes em que a internet era presente e fundamental na vida dos personagens, abordando inclusive seus perigos já que eram adolescentes (frágeis), ouvíamos música, fazíamos desenhos no paint brush por exemplo, produziam textos no word, escreviam cartas entre si e relatos das aulas para imprimir e trocar. Mais tarde então, iriam criar e-mails e trocar notícias virtualmente. Admito que achava o tempo de contato pequeno, mas ainda assim era grande pra quem nunca tinha tocado num computador, para quem nem imaginava o que era internet, para quem conseguia a partir daquelas aulas, vislumbrar uma oportunidade de trabalho. Foi um trabalho precioso e sem sombra de dúvida posso dizer que fomos nós, os professores, quem mais ganhamos. Experiência de vida, humanidade, carinho (tenho até hoje cartinhas carinhosas dos alunos, com palavras de afeto e gratidão)…

Por fim, saí do projeto para assumir outra atividades profissional e perdi a “formatura desses alunos-cidadãos”, mas vários desses alunos continuo encontrando sempre que tenho chance de ir ao cinema naquela cidade. Por isso fiz a referência ao Cinemark acima, porque parte dos jovens da escola de deficientes mentais estão por lá, recebendo os ticket’s de cinema, orientando as salas, acompanhando os clientes, realizando a comunicação entre a equipe do Cinemark e atuando na manutenção do espaço. É uma satisfação vê-los por lá. Ver estes alunos que foram inseridos profissionalmente, muito em função da luta da escola especializada que frequentaram claro, mas por terem tido tb acesso a inclusão digital e mais, por terem vencido preconceitos acerca de suas possíveis limitações intelectuais. Nota 10 pra eles!!

Outro exemplo de projeto ligado a inclusão digital que pude acompanhar, mais recentemente, foi a implementação do serviço de internet na comunidade do Morro Santa Marta, em Botafogo, Rio de Janeiro. Mas… isso é tema para o próximo post. Volto com ele, com relatos, fotos e notícias acerca da sua funcionalidade e de como está afetando a vida dos moradores daquele comunidade carente da zona sul carioca.

Um abraço!

Ah, se você mora na grande São Paulo, para saber quando o caminhão itinerante das Casas Bahia passará pela sua região, acesse a Agenda e participe!

No twitter busque e use as tags #inclusaodigital e #educacao.


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8 Responses so far.

  1. [...] A experiência como instrutora do Projeto Consórcio Social da Juventude, em Curitiba – PR do… [...]

  2. [...] blogagem comigo), @boombust, @poperotico, @cybelemeyer (de novo), @kakah, @miparente, @nubibella, @blogdati, @sucessonews, @claudiagiane, @alinedexheimer, @cynarar, @juvilela, @kakoferreira. Nos meses [...]

  3. Oi Tifany,
    TUdo bem?
    Não sei se conheces o meu jornal EU SOU UMA AVENTURA.
    Pois bem será sobre Inclusão Digita. Eu estou recebendo historias e depoimentos.
    Gostarias de participar desta edição do jornal.
    Pode ser o depoimento acima ou outro que tu achares melhor.
    Podemos conversarmelhor, me escreva
    : eu@alinedexheimer.com.br
    Beijos,Aline

  4. Oi Tifany,
    TUdo bem?
    Não sei se conheces o meu jornal EU SOU UMA AVENTURA.
    Pois bem será sobre Inclusão Digita. Eu estou recebendo historias e depoimentos.
    Gostarias de participar desta edição do jornal?.
    Pode ser o depoimento acima ou outro que tu achares melhor.
    Podemos conversarmelhor, me escreva
    : eu@alinedexheimer.com.br
    Beijos,Aline

  5. Olá,
    Não sei se conheces meu jornal EU SOU UMA AVENTURA.
    Queres participar do próximo’número sobre Inclusão Digita com este teu depoimento?
    Entre em contato comigo
    eu@alinedexheimer.com.br
    Beijos e obrigada,Aline

  6. kudrowMovie disse:

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  7. [...] talentos é uma oportunidade que deve ser dada a todos. É certo, como afirmaram @kakah e @blogdati em suas participações (ambas já foram instrutoras de projetos de inclusão digital), há que se [...]

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