A praia do carioca começa na Lapa – crônica
Marcelo Migliaccio, editor do Blog Rio Acima, do JB on line, transcreveu em seu blog a reportagem publicada em julho de 2008, no Jornal do Brasil, com um empresário do ramo alimentício cuja atuação aqui no Rio de Janeiro agrada a todos os paladares e idades. Com o mesmo título desse post “a praia do carioca começa na Lapa” (a Lapa é o bairro mais tradicional da boemia carioca, no centro da cidade) Marcelo recontou a história de vida do empresário paulistano radicado no Rio de Janeiro Milton Ponce, “um senhor franzino de fala mansa mas articulada e segura”, como ele mesmo define.
“Milton Ponce segue essa rotina (a de abrir seu estabelecimento todos os dias às 5horas) desde 1962, quando decidiu ampliar a produção da padaria Globo, em Botafogo. Paulista, ele chegara ao Rio em 1954, trazendo de uma panificação antiga do bairro do Ipiranga a fórmula que junta polvilho, ovos, leite, açúcar, sal, gordura hidrogenada e água”. E aí, adivinharam do que estamos falando? Sim… Milton Ponce é dono do segredo dos famosos biscoitos de polvilho Globo, os mais comercializados nas praias cariocas.
No post de Marcelo, que tomei a liberdade de transcrever abaixo, o senhor Milton Ponce conta o porquê de não exapandir mais ainda sua produção e revela seu perfil solidário e politicamente correto, mostrando que está em dia com a contribuição social esperada de todos os empresários brasileiros, mostrando que há preocupação sincera com o fato de que sua produção, sua atividade podem afetar positivamente a vida de outros, no melhor esquema “cada um faz sua parte”. Leiam, é curtinho e vale muito a pena, até mesmo pela curiosidade sobre a origem e feitio de produto tão “a cara do Rio de Janeiro”. Aqui em casa nunca fomos a praia sem comer um pacotinho desses, juro! Um abraço e boa leitura.
“São 4h50 da madrugada na escura Rua do Senado, na Lapa. Até os mais renitentes boêmios já entregaram os pontos. Não se vê viva alma, a não ser em frente ao sobrado número 273, onde cerca de 50 pessoas aguardam a abertura da fábrica do tradicional biscoito de polvilho Globo. Daqui a algumas horas, o sol estará brilhando na orla, mas a praia do carioca nasce ali, na escura Rua do Senado.
O primeiro da fila chegou às 2h. Fausto Ferreira da Silva, 80 anos, compra biscoitos para vender na Praia do Leblon há oito, desde que deixou o emprego de cozinheiro num restaurante do Centro.
– O produto é bom! – empolga-se. – Esse biscoito é dinheiro em caixa. Criança de um ano já aponta o dedinho quando a gente passa – diz o vendedor, que paga R$ 25 por um saco de 50 unidades.
– Muita gente pergunta por que não aumento a produção. Quase todos os dias, recebo propostas de franquia, mas isso aqui é como um bolo que você faz na sua casa. Segundo ele, sua maior satisfação é fornecer um meio de vida a milhares de pessoas que vendem o biscoito nas praias do Rio e pelas ruas da cidade.
- Muita gente aposentada ou desempregada vem aqui comprar o biscoito e sobrevive da venda.
Milton diz que o segredo do sucesso são seus funcionários – 18 no turno da manhã e quatro à tarde – que chegam a produzir 15 mil saquinhos com dez rosquinhas cada durante o verão.
– Tenho funcionários comigo a 42, 38, 35 anos. Aquele está aqui desde os 11 – conta, enquanto aponta para o forneiro Ednaldo Valdevino do Nascimento, 36.
– A carcaça já calejou com esse horário.
– Se colocar numa batedeira a massa queima porque não leva fermento – explica. – Já tentei usar luvas, mas elas impedem que eu saiba o ponto exato.
Milton brinca com a fidelidade dos funcionários.
– Tem uma senhora aqui que, se eu demitir, dá um jeito de entrar pelo telhado. A maioria das empresas erra quando troca os empregados que ganham mais. Eu valorizo essa equipe.
Seu calcanhar de aquiles é o empacotamento nos saquinhos de papel vendidos nas praias – os únicos que resistem à ação do sol.
– Já procuramos na Itália e na Alemanha, mas não existem máquinas para esse trabalho.
Ver empacotadores como William da Silva Torres atuando é um espetáculo. Numa velocidade tão grande que suas mãos desaparecem, ele enche um saco em menos de cinco segundos.
Mas quem mete mesmo a mão na massa é Jailton da Silva Cardoso, que exercita os músculos e a sensibilidade dos dedos para achar o ponto certo. Como não pode usar luvas, sua maior preocupação é com a higiene.
Apesar de não ser carioca, Milton já incorporou o espírito gozador e não liga para os apelidos de biscoito de vento ou “me engana que eu gosto”:
– Devemos muito do nosso sucesso à essa irreverência”.
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A praia do carioca começa na Lapa – crônica: – http://tinyurl.com/m3g6w8 #familia (via blog)
Ti, recebi um mail sobre Curitiba e achei muito legal. Gostaria de lhe enviar….me passe o seu e-mail para eu lhe enviar.
cristiane.rajao@ig.com.br
Tiffany Reply:
setembro 11th, 2009 at 7:07 pm
Cris, já te mandei um e-mail… fiquei curiosa pra saber do que se trata o e-mail.
Volte mais vezes. Um beijo. Ti
#cariocas você sabe como é feito o famoso biscoito globo? http://bit.ly/DwiED