O contador de histórias, retrato de uma vida

Posted by @blogdati On setembro - 5 - 2009 0 Comment

Vou te dar uma chance para me dizer se reconhece este homem…

Carlos Ramos, é ele o contador de histórias

Este sorriso franco e agradável é sim “daquele cara” que você assitiu sendo entrevistado no Jô Soares (em 2001em 2004 e agora em 2009), no RJTV, ou que você viu em outras reportagens… era Roberto Carlos Ramos, 43 anos, um brasileiro, um contador de histórias.

Roberto teve sua vida transferida para um filme e narrada (por ele mesmo) com uma tônica diferenciada após uma série de desventuras que tiveram início na vida pobre e humilde duma família com 9 filhos, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Inicialmente a vida em que inúmeros brasileiros se encontram hoje, à margem da sociedade, inclinada ao vício e criminalidade, sem muitas perspectivas de sucesso ou mesmo, felicidade. Mas por que Roberto é tão citado, por que ficou famoso e ainda virou tema de filme?! Personagem do filme O CONTADOR DE HISTÓRIAS (Warner Bros. Pictures), dirigido pelo cineasta Luiz Villaça, a película apresenta como aquele menino simples que foi entregue a Febem pela própria transformou-se num homem de bem, formado em pedagogia, pai de 13 jovens adotados e mestre na contação de histórias (é autor de O Contador de Histórias, livro infantil).

fotos salvas do site crescer sobre filme com Roberto Carlos Ramos, entrevista

Roberto, genuinamente carismático, parece feliz e centrado em todas as entrevistas que já assisti até hoje. Por reconhecer em suas falas o sentimento de “verdade” fico a me cobrar por que ainda não consegui visitar uma sessão de cinema e finalmente conferir o material nas telonas… mas o farei em breve, com certeza. Enfim, a trajetória de vida desse homem, como diz a reportagem da Crescer, mês passado, “não começa no seu nascimento, e sim aos 6 anos de idade, quando entrou na Febem” como frisei acima e o desenrolar da sua vida a partir disso. Num trechinho da matéria Roberto conta assim:

“uma assistente social, no final da década de 70, visitou a casa da família. Ela convenceu minha mãe que naquela instituição eu teria uma profissão. Falou como se fosse um colégio particular do governo. Mas minha mãe não imaginava que lá as crianças sofreriam maus-tratos. Só recebia visitas uma vez por mês”. Por tudo isso, ele diz, fugiu pela primeira vez com 7 anos. Aos 9 foi transferido para o interior e perdeu o contato com a mãe. Com 13, bateu o recorde de fugas, 132 vezes, e ficou conhecido como “irrecuperável”.

Sua vida mudou quando conheceu a pedagoga francesa Marguerit Duvas, que em visita a Febem se interessou por “seu caso”. Na primeira conversa que tiveram, Roberto conta que expos a razão das fugas e do sofrimento perguntando a ela se os agentes/funcionários da instituição lhe haviam mostrado as ferramentas de tortura ou as celas em que as ciranças e adolescentes eram colocados… Já pensaram? Eu já visitei algumas instituições para menores infratores e posso dizer que ouvi histórias tão tristes e injustas que às vezes ainda perco o sono por isso. Imaigno bem qual não foi a cara e a reação dessa francesa ao ser confrontada desse modo!

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E quase como num conto de fadas, provando que muitas histórias podem sim ter um final feliz, Roberto foi morar com Marguerit na França. Adotado, aprendeu a ler e escrever, recebeu amor e aprendeu aos poucos o que era ser cidadão. Num ambiente acolhedor, com acesso a escola e a amigos, sua vida foi se transformando e eis que o talento em contar histórias, entreter e gerar sorrisos e alegria apareceu.

A primeira vez que ouvi a história desse homem, antes mesmo do livro ter sido escrito e do filme rodado, claro, foi numa reportagem pela TV, não me lembro o programa, mas acho que era na Rede Globo. Ele dizia, num determinado momento que, morando com a Francesa, certo dia “abriu a torneira da pia e deixou a água escorrer até transbordar a pia e molhar todo o chão. Quando ela o surpreendeu, vendo aquilo tudo molhado, ao invés de brigar e gritar, o abraçou”! Pra mim isso é a resposta para o entendimento deles, para o sucesso dessa relação de mãe e filho, a compreensão. Nunca esqueci esse relato e me sinto feliz de poder postar hoje essa lembrança, justamente da vida desse homem, uma pessoa que eu não conheço pessoalmente, mas que admiro demais.

Por fim, finalizo transcrevendo uma frase de Roberto em entrevista ao RJTV, telejornal aqui do Estado.

“Existem vários caminhos para transformar o ser humano, mas a educação, eu como professor e pedagogo, eu tenho que puxar a sardinha pro meu lado, é um instrumento ainda que muda a realidade das pessoas”.


S
e você já conhecia a história desse Contador de Hisórias ou se ficou curioso após ler este post (longo, eu sei), acesse o site oficial do filme. Desde agosto em exibição nos cinemas. Recomendo!

dirigido pelo cineasta Luiz Villaça, 43 anos, e produzido pela atriz Denise Fraga, 44 anos.

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