Relógio biológico feminino, pode ser comparado?

Posted by @blogdati On junho - 14 - 2009 1 Comment

Não é engraçado como somos constantemente bombardeados com questionamentos de desconhecidos, familiares e/ou amigos mais chegados acerca de nossas decisões sobre a intenção de gerar, ter e criar filhos neste mundo de hoje? Se de um modo geral as pessoas nos instigam a refletir sobre nossas decisões a partir de perguntas cujas nossas respostas fazem-los agir com estranhamento, surpresa ou serenidade, imaginem o que essas “perguntinhas” muitas vezes “cretinas” não fazem com as mulheres que estão, por razões diversas, vivendo a insegurança de atender ou não às batidas do relógio biológico?!

“Há quanto tempo estão casados? Hum… e ainda não tem filhos?”

“Nossa, já está com essa idade e ainda não engravidou? O que espera?”

“Puxa, vocês são muito novos. Já vão ser pais?”

“Quantos filhos vocês tem? Nossa, começaram cedo e planejam mais?”

Não quero, em hipótese alguma, ofender ou criar polêmica sobre mais um tema delicado e frequente na vida das mulheres. Mas, ao mesmo tempo,  não posso deixar de produzir este post porque penso neste tema com frequencia, pelas indagações que me são feitas em conversas por aí e pela angústia ou desprendimento que percebo em mulheres próximas.

imagem do site Getty Images com mulher rodando no relógioEm conversa com uma amiga por quem tenho grande apreço, ela me confidenciou que ainda não engravidou, após 3 anos de casamento porque “tem receio de, mais tarde, após os primeiros meses com o bebê, conseguir uma boa oportunidade de emprego, aceitar e ainda assim não conseguir se fixar no mercado de trabalho. Poderia dizer que sofre com o dilema de saber que não irá ser completamente feliz e plena se precisar abrir mão da atividade profissional para ser apenas mãe/esposa/dona de casa”. Estaria incompleta e a frustração acabaria presente no dia-a-dia da família.

Contextualizo contando que ela é super carinhosa, emotiva, com jeitão de mãe, fã de crianças e uma excelente cuidadora dos filhos dos amigos… porém, mesmo assumindo seu instinto materno e a chegada das batidas desse relógio biológico – que tanto oscila entre as mulheres, suas idades e condições socioeconômicas - espera e evita o bebê que seria amado, paparicado e protegido por toda a família…

“Filhos, filhos, melhor não tê-los. Mas se não tê-los como sabê-los?”

Em contrapartida, outras mães que conheço, apesar de inúmeras dificuldades, entendem que a maternidade e a vida profissional podem e conseguem ser conciliadas, ainda que exijam algumas concessões pessoais necessárias, em favor do equilíbrio da família. Em geral a carreira da mãe não consegue deslanchar como a do pai ou da mulher sem filhos; no caso de uma viagem longa ou diversas viagens curtas a trabalho, por exemplo, para a “profissional mãe” isso envolveria muitas dificuldades especialmente com filhos pequeninos (pela dependência, pelo apego) por isso muitas delas precisam abrir mão, mesmo que se tratem de cursos ou aprimoramentos. Entedem o que digo? Escrevo tranquilamente sobre isso, pois tenho ouvido relatos e lido muito a respeito. Porém, essa mesma mãe profissional alcança outros desafios e recompensas ainda no ambiente de trabalho e quando chega em casa é agracida com os sorrisos, descobertas e amor dos filhos. E, por experiência própria, digo que mesmo os filhos que cobram a ausência da mãe que trabalha fora e (muitas vezes fica horas afastada do lar), são capazes de demonstrar seu amor e carências. E muitos demonstram também o orgulho pela vida ativa e independência da mãe. Crianças e adolescentes tratam isso cada um a sua maneira, mas se observarmos com jeitinho é possível atestar o que digo.

imagem de mulher sonhando com o relógio fonte Getty imagesE as mulheres que abrem mão da carreira? Mulheres mães, tanto as mais qualificadas academicamente quanto as com pouco estudo, detém grande sabedoria quando são capazes de ouvir seus instintos e a voz que vem do coração para tomar a DECISÃO DE FICAR EM CASA… ainda que isso às vezes seja decidido com um pouquinho de medo ou receio de ser subjulgada pelos seus. E sobre isso falo com propriedade, pois tenho vivido esta situação desde meu casamento e ainda que tenha para o futuro próximo alguns projetos profissionais e acadêmicos bem definidos, uma profissão e interesses variados (que vão além da maternidade e peculiares ao universo infantil), não me sinto pressionada por mim mesma a voltar ao mercado de trabalho. Sinto – e a maioria das mulheres é vítima como eu – dos olhares e pensamentos alheios. Somos pressionadas pelos outros, pela sociedade que espera produtividade constante, pelos familiares e até amigos porque a verdade é que as pessoas acreditam que a realização só é completa através do trabalho remunerado e pelo status da carreira, o que – ausente – da vida de uma mulher/mãe a deixaria deprimida, frustrada e rotulada. Aliás, rótulos são sempre inconvenientes e muitas vezes deturpam suas aplicações no dia-a-dia… complicam nossa vida.

O fato é que as pessoas são diferentes umas das outras. Ainda que convivamos próximos, nunca saberemos o que se passa na cabeça de cada um até porque nem sempre assumimos tudo que estamos pensando. E quando estamos falando de realização pessoal, de vida plena bem vivida e feliz, de satisfação e paz de espírito, de amor nós temos que comungar da seguinte idéia: cada um pode ser feliz do seu jeito e em se tratando de mulheres, nem todas querem ou precisam ser mães, mas as que escolhem sê-lo, com certeza, passam a conhecer uma sensação de algo mais, de superação, de amor intenso e força/poder que não se compara a nada.

Por isso, apesar dos “relógios” baterem diferente para cada mulher, acho que todas devem se esforçar para ouví-los e atendê-los, encarando seja quais situações inesperadas, planejadas ou adversas forem as que se apresentarem em seus caminhos!! Ser mãe é tudo de bom! E eu não estou fazendo propaganda enganosa: cada mulher lidará com a maternidade de um jeito peculiar, enfrentará desafios e descobertas, mas todas terão a chance de viver mais plenas. Por isso, amigas e desconhecidas que estão enfrentando perguntas como as que citei no início do post, dá para administrar possíveis frustrações, mudança de estética, aumento de peso, peito cheio, pernas inchadas, azia, enjôo, umas estrias aqui outras ali e variações hormonais por um curto período de tempo… sabendo que a recompensa será maior que tudo!! Eu as apóio.

capa de livro vida de equilibristaE para as mulheres/mães que estão trabalhando, que ainda não sairam de licença-maternidade ou que já voltaram, deixando seus baby’s no berçário/creche ou com a babá, fiquei sabendo de um livro bacana (que pretendo ler nos próximos dias e volto pra contar) que pode ajudar: Vida de equilibrista – dores e delícias da mãe que trabalha (fora!).

P.S. Pessoal, vale lembrar que eu não havia comentado a situação de conflito das mulheres/mães que são arrimo de família, o que é mais delicado ainda, já que a necessidade fala mais alto do que a vontade e neste caso, todos os sentimentos se exacerbam mais…

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