Confissões de Mãe
Breve introdução:
Confissões de Mãe é o recente e polêmico livro de Maria Mariana, escritora, atriz e diretora de teatro que fez sucesso na década de 90 com o best seller teen Confissões de Adolescente, que foi adaptado como peça de teatro e virou seriado de televisão, exibido pela TV Cultura. Casada há dez anos com um médico cardiologista e homeopata de 52 anos, ela com 36 anos hoje, é mãe de quatro filhos: Clara (9), Laura (7), Gabriel (5) e Isabel (2). Filha única do dramaturgo e cineasta Domingos Oliveira, 72, famoso nome da contracultura e da defesa de casamentos abertos, Maria Mariana volta a causar frisson com o recente lançamento desse livro que dá nome ao post… Confissões de Mãe, livro publicado pela Agir Editora (que, gentilmente, por recomendação de Sam Shiraishi, me enviou o livro como cortesia).
Agora sim, vamos falar da polêmica obra…
Na semana passada, minha irmã Samantha, em seu blog A vida como a vida quer, sugeriu ponderarmos sobre algumas declarações polêmicas de Maria Mariana… ela sugeriu o debate pois se “inflamou” acerca de declarações um tanto pouco feministas e conservadoras demais publicadas em reportagem da Revista Época, no início de maio, como quando a escritora diz:
“Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar”.
Eu recebi o livro na última terça-feira e o li numa noite, rapidinho, curiosíssima para entender melhor alguns comentários que também julguei estranhos em entrevistas com Maria Mariana, como para o site Ego e para a Folha on line, assim como para assimilar a quantidade de críticas que haviam sido despejadas por mães, profissionais liberais e donas de casa em blogs e sites ligados a maternidade.
Confesso que afora o tema “parto natural” e “modelo de mãe” não senti tamanho estranhamento sobre as declarações que ela fez. Ao contrário, por ser jovem, ter iniciado uma carreira, atividade profissional da qual abri mão quando casei e decidi constituir uma família, além de estar casada nos moldes mais tradicionais que a sociedade espera, vivendo atualmente voltada única e exclusivamente para a criação e educação de meu filho e harmonia da família (o que não é ipsis litteris a realidade para a maioria das brasileiras), posso dizer até que me indentifiquei postivamente com algumas coisas ditas por ela, como o prazer e dedicação para a amamentação, o amor incondicional aos filhos e a luta por ganhar respeito pela posição de mãe, título e espaço pré-julgado e muitas vezes banalizado na nossa sociedade. A autora aponta que ter um casamento sadio é a base para contruir e manter o sucesso da família, mas temos que lembrar e respeitar o fato de que nem todas as mulheres tem parceiros cúmplices, família sólida ou mesmo amor verdadeiro, desse que ajuda a crescer, a contruir…
Mas, vejam, entendo que muita gente tenha tido urticárias ao ler trechos como…
“[...] ter uma profissão é importante! Estude bastante! Se for possível se desenvolver nesse campo antes de ser mãe, é bom. Mas se não for, não é fudamental”.
E mais ainda, quando o assunto é o temível e sempre alvo de palpites e dicas PARTO NATURAL… cruel, pacificador, inesquecível, sonhado, desejado, temido, ensaiado, dolorido…
Maria Mariana escreve a obra toda num discurso direto, como uma conversa franca sugerida como um bate-papo entre ela e uma das filhas (ou as três filhas) quando tiverem idade e/ou interesse para discutir tais assuntos. A leitura é agradável e parece mesmo sincera, como quando nos sentamos com uma amiga querida e ficamos fofocando com uma xícara de café na mão.
Ela acerta – ao meu ver – quando aponta a grande magia que é ser mãe, o quão abençoada éa mulher que recebe a dádiva de poder engravidar, gerar e parir (não gosto desse verbo, mas ela usa muito, gosto mais de “dar à luz”) um bebê, uma vida nova. Fala diversas vezes sobre o sentimento de UNIDADE entre a mãe, o bebê, a nova família e Deus. Aliás, falando em Deus, Maria Mariana, numa das entrevistas que li, diz ser espírita. Eu, quando li suas palavras, não soube definir qual a sua religião, mas certamente pude notar como ela está ligada espiritualmente a algo maior e pondo sua família, seus filhos nas mãos do Criador, entendendo que Deus tudo pode e está por nós. Isso achei bastante interessante e comento porque vejo que nós, jovens – independente do sexo – temos certa tendência a fugir das religiões e das palavras de amor e entrega que a maioria delas prega, mas quando nos tornamos mães – muitas de nós – acabamos nos rendendo a importância de Deus em nossas vidas, porque vivenciamos diariamente um desejo de agradecer e pedir por, pela vida que estamos criando, educando e ensinando… quando a gente tem filhos – palavras minhas – nos sentimos pequeninos e precisamos contar com algo maior para ter certeza de que nossos tesouros estarão todo o tempo amparados não apenas pelo nosso amor.
Meu post está ficando longuíssimo pra variar. Tenho pouca inclinação para textos jornalísticos e muita satisfação em escrever, mas sei que minhas frases longas cansam até meus leitores mais assíduos, minha família, hehe
Antes de finalizar preciso voltar ao um ítem. Maria Mariana confessou acreditar que só tem filho por parto normal as mulheres que “merecem” e que eventuais dificuldades para amamentar o bebê surgem para quem não está dando “o devido valor a seu lugar de mãe”. Ela, que viveu uma cesárea de última hora para a chegada de sua primeira filha, aponta abertamente que isso a frustrou demais porque entende que junto com o trabalho de parto, das horas de contrações, dor e reflexão à espera da chegada do bebê, a muher se aproxima da plenitude espiritual, fazendo a dorparte de uma espécie de transição que oportuniza o nascimento também de uma mãe. Ela está certa quando diz que nasce uma mãe assim que o bebê nasce, antes somos mulheres nos preparando, apenas. Mas quanto ao parto em si e às emoções contidas acarretadas por ele, creio que é aí que o bicho pega (e posso trazer o debate em outros posts futuramente), pois é algo único para cada mulher, não se pode generalizar, rotular ou condenar a situação e momento dos partos.
Se a escritora acusa a classe médica de sugerir a facilidade, praticidade com hora marcada e ganhos altos de cirurgia e internação relacionados às cesarianas, ela faz certo. Até o SUS, hoje em dia, tem precisado fazer campanhas de conscientização pelo “uso” do parto normal. Mas se um parto não natural foi a opção de uma mulher, como eu que fiz cesárea e a quis consiente de que perderia aquele momento única de expelir com toda minha força o corpinho que foi gerado dentro de mim, ela não pode e nem deve ser condenada. Cada mulher vive a plenitude, a ansiedade, a frustração e/ou dificuldades de uma gravidez diferente da outra e isso é que define como estará a saúde física e emocional de cada mulher no momento de tornar-se de fato MÃE, não dá para rotular ou criticar. E eu posso atestar, com todo o meu afinco, mulheres que não serào boas mães não precisam ter feito cesáreas pra levá-las a isso. Boas mães se contróem com doação (como a autora tb aponta), com desprendimento, amor incondicional e dedicação. E acho que isso vale inclusive para mães adotivas e pais.
Repetidas vezes ela diz que está contando suas experiências pessoais, a partitr de suas bagagens emocionais e não ditando o que é certo ou errado, mas certamente, como todos que exprimem voz e opinião publicamente está ciente de que deu a cara à tapa e há os que irão concordar plenamente, um pouquinho ou discordar severamente. E viva a democracia!
Acho que voltarei a falar desse livro por aqui. Até breve!
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Ti!
Eu li essa reportagem sobre a Maria Mariana, logo que saiu, não tive a oportunidade de ler o livro (gostaria muito por sinal), mas já percebi o quanto está tendo de polêmica em volta dos assuntos por ela abordados.
Acho que tudo que ela descreve e baseado na experiência de ser mãe que ela vivi e concordo com você que não podemos generalizar afinal não sabemos o que cada mãe sente, como se expressa, como expressa o amor que sente pelos filhos e como os educará durante a tragetoria deles na vida.
Sobre o parte que ela cita o parto natural como a transformação para ser mãe é muito delicado, pois e as mães que acabam tendo seus pequenos sentados dentro do ventre que não podem nascer por meio de um parto normal e tem sim que fazerem uma cesariana, ou ainda as que como a minha cunhada que teve uma pré-eclampsia e foi submetida há uma cesarea de emergência, claro que o desejo de ter um parto normal é (acredito eu) o desejo de muitas mães, mas vale salientar que não é a todas que isso é possível, eu graças a Deus tive todos os meus por parto normal, e posso dizer que é uma experiência unica e maravilhosa, mas cada caso e sempre um caso.
E não acho correto ela dizer que algumas mulheres “merecem” o parto normal, e aquelas que tem um parto normal e abandonam seus filhos a própria sorte?Jogando esses pequenos presentes de Deus em lixo, lagoas, caixas de papelão, qual é o merecimento que essas tem?Que se negam ao fato tão maravilhoso quanto ao da maternidade, que é algo unico em nossas vidas e a experiência de amor puro.
Acho que ela foi infeliz ao fazer esse tipo de comentário, porque ainda podemos colocar em pauta as mães que lutam para adotar uma criança pois por algum motivo não podem gerar os seus em seu ventre.
Concordo quando você diz que é um assunto que irá gerar muitos post e muitas discussões.
Afinal amor a gente cria dia apos dia, sendo pai biológico ou não, é isso é um fato valido e inegável da natureza, e se ela está expondo toda a sua opinião pessoal, cabe a nos discutirmos o assunto e viver a democracia e liberdade de expressão.
Beijos Jô
Jo, ela fala sobre filhos adotivos e sobre a grande doação que algumas mães realizam ao amar e educar filhos que não geraram… seria leviano se não tivesse comentado isso no livro, mas afora esta exceção, ela coloca muito como regra a bênção e o merecimento à mulher que faz o parto natural… acho que o mérito de partos complicados em que a criança está em posições não apropriadas para o nascimento, como sentadas, de lado, coisas assim, nem são comentados no livro porque são casos de lógica cesariana. Percebi que a crítica maior está em exatamente “retaliar” as mulheres que são sadias, tem gestações tranquilas e poderiam sim dar à luz através de parto natural, mas o evitam porque tem medo de sentir dor, acham mais prático agendar a internação e nascimento dos filhos, lidando melhor com a ansiedade e expectativa que você bem sabe é muito diferente quando se vive o trabalho de parto ou quando apenas há o desejo de receber logo o filho nos braços.
Num trecho ela diz rapidamente que há mulheres que escolhem o dia do parto de acordo com o sígno que desejam… essas futilidades é que, entendo, ela aponta como banalização do parto.
De mais a mais, acho que ela se colocou como uma mãe que relatou suas experiências, várias e que lhe permitem certos conselhos, opiniões mais fortes ou mesmo achar que tem respaldo para apontar o erro alheio. Quem não faz isso quando domina certo assunto? Fatalmente acabamos fazendo, as vezes de modo arrogante, noutras vezes até sem querer.
O que acho legal é sempre, a partir de bandeiras levantadas por uma pessoa aqui, outra ali, nós – sociedade – podermos debater em rodas de amigos, junto às comunidades mais próximas, junto às redes sociais e compartilhar desde críticas até sugestões e mais, experiências pessoais que, em geral, só enriquecem as pessoas e o dia-a-dia.
[...] ressaltar, que recomendo no Blog da Ti, no post Confissões de Mãe, já que a blogueira, escreve após ter lido o [...]
Veri, como vai?
Agradeço a visita ao meu post/blog e a referência aqui no seu post que, nitidamente, demonstra a perplexidade diante da enorme exposição que esse livro alcançou.
Eu o li rapidinho e quis escrever algo sobre (logo) justamente porque tinha lido a entrevista da Época, acompanhado o burburinho no Twitter e nos e-mails de grupo, além de ter ouvido outros comentários aqui e acolá e confesso, a curiosidade estava me matando. E foi interessante perceber que se tratava apenas de uma mãe contando suas experiências e fazendo algo muito natural, defendendo o que pensa como sendo regra, como muitas pessoas fazem, até sem querer, sobre diversos temas… é o que dá margem àquela famosa expressão “a dona da verdade”. Mas, olha, como disse no meu post, afora essas opiniões mais enfáticas e pouco flexíveis acerca do parto normal e a defesa pelo casamento tradicional família perfeita, a leitura é agradável e Maria Mariana não determina nada, só narra e o livro é gostosinho de ler. Mães ou mulheres ainda não mães podem se identificar porque bem ou mal pode comparar o que lê com histórias de amigas e familiares…
E a história da Maísa, isso sim eu acho que merece mais “pano pra manga”; essa menina precisa de voz, ser ouvida, judiação!!
Um beijo grande Veri. Boa sorte nos seus projetos!!! Tiffany
Oi Ti, vou te confessar que não tenho a menor vontade de ler o livro. Nunca tive, nem mesmo antes de toda a polêmica. Porque nada do que MM fala é novidade pra mim, e o livro reflete uma opinião muito pessoal dela, a vivência dela.
Acabei escrevendo sobre isso (se não teve oportunidade de ler, veja em http://rematteoni.wordpress.com/2009/05/12/o-que-a-maria-mariana-escreveu-ou-falou-reacoes/) só porque me assustei com as reações que as coisas que ela falou causaram. Tudo bem que entre essas coisas há muitas abobrinhas e muitas outras coisas com que concordo, mas colocadas de uma forma pra mim inadequada, com o intuito de gerar polêmica, aparecer e vender livro. Não sei como aparece no livro, mas nas entrevistas foi a impressão que passou. E pelo que ouvi falar, as frases dela, ainda que tivessem sido colocadas fora de contexto, pareceram muito incisivas.
Mas o fato é que me assustei com a mulherada discutindo questões como “catar cuecas sujas pela casa”! Nunca pude imaginar uma discussão desse nível tomar a proporção que tomou pela blogosfera. A verdade, pra mim, é que quanto mais exarcebada a reação, mas mal resolvida em relação a questão e pessoa está. A leitura que fazemos das palavras dos outros assume sempre um caráter muito pessoal, isso não podemos negar.
Beijo
Renata
Tiffany Reply:
maio 29th, 2009 at 11:20 pm
Oi Re, obrigado por vir comentar. Peço desculpas, pois você escreveu antes de mim, antes dessa minha resenha, mas eu realmente não tinha tido a oportunidade de ler, sorry!
Ela (Maria Mariana) expôs sua opinião de modo bem enfático sim, como dona da verdade e como conhecedora da causa “maternidade”. Também acho que certas declarações ganharam uma proporção e repercussão maiores do que mereciam, graças a uma assessoria bem feita por parte da equipe dela e da editora, claro, mas isso não muda o fato de que se está havendo um bafafá é porque o assunto atrai as pessoas. Quando falamos em maternidade, em filhos, vivência, exemplos, erros e acertos, cada um tem sua receita de como fazer melhor, a partir de suas bagagens de vida e preparo (intelectual, emocional, familiar, profissional)…
Creio que assim como não afetará a sua vida no sentido de “como criar e educar sua filha” , este livro não afetará a minha ou a de muitas amigas nossas, mas quer queiramos ou não, afetará o modo de ver e tratar a maternidade para algumas moças/mulheres que, de repente, podem ter um preparo menor, sabe?! Pessoas que realmente se deixam levar pela opinião de quem tem algum status social maior que o dela, quem entende que o “noticiado pela imprensa” serve como modelo. Acho isso. Por isso o debate e algumas ponderações podem ajudar.
Mas…
mudando de assunto, tenho pensando muito na escola da sua filha, vou fazer contato (particular) em breve. Novamente, obrigado pela visitinha. Abraços, Ti
Ti, eu não li o livro mas parece que os comentários foram realmente polêmicos, ainda mais com a ênfase que a Maria Mariana deu.
O Henrique nasceu de parto normal e sinceramente não me sinto mais mãe ou mais abençoada que vc, que se dedica exclusivamente ao CJ. Vejo que todas nós, mães e amigas, buscamos a melhor forma de construir um ambiente saudável para o crescimento de nossos filhos, independente das adversidades que aparecem pelo caminho.
Pela carinha de feliz deles acho que estamos fazendo nosso trabalho direitinho! Parto normal ou cesariana…. não importa, o que interessa é o carinho do dia-a-dia.
Bjs
Tiffany Stica Reply:
junho 12th, 2009 at 11:43 pm
Bárbara, que bom que você veio deixar sua contribuição aqui no blog. Fiquei muito feliz mesmo, pois sei que mesmo lendo eventualmente, na correria do dia a dia, nem sempre vc pode escrever. Obrigado.
Mas, sobre o livro/post/comentário, acredito que o tema rendeu pano pra manga justamente pelas polêmicas que se criaram nas entrevistas concedidas pela Maria Mariana. A maioria das pessoas que escreveu sobre ou que se exacerbou um pouco mais nas criticas leu apenas o que diziam revistas e jornais, nem todos tiveram o cuidado e tempo de ler o livro.
Mas sobre coisas verídicas e radicais do ponto de vista da escritora, que não tem tanta experiência de vida a mais do que nós, por exemplo, o triste é constatar essa divinização pelo parto normal, amamentação e família ideal. De resto, acho que dá para relevar…
Como nós temos a cabeça feita e estamos tranquilas com as referências que buscamos para iniciar nossas jornadas de mãe, o que foi dito neste livro não afetará nossa rotina, mas de outras milheres/mães talvez, por isso acho que levantar o debate e a reflexão foi algo positivo.
Acho que estamos caminhando bem. Obrigado. E boa sorte. Um beijo. Ti
Ti,
Gostei muito do que vc escreveu, de ter emitido sua opinião depois de ter lido o livro. Eu ainda não li. Estava curiosa, por causa das reações inflamadas que vi na rede, mas depois da sua resenha, sinceramente?, acho que não vou ler não. Creio que não vá me acrescentar nada. Acho ridículo este tipo de discussão “fulana é mais mãe que cicrana…” ou “quem amamenta é uma mãe melhor” ou “só tem parto normal quem merece”. Acho estas coisas tão pequenas, tão sem sentido, diante da magnitude da vida!
Eu tive meus dois filhotes de parto normal. O segundo, de parto natural. Amamentei os dois: a Yumi até 10 meses e o Kazuo até os 7 meses (por insistência minha; se dependesse dele, teria amamentado muito menos tempo). Não me sinto mais mãe do que ninguém por causa disso. Também acho tolice este negócio de que “é o marido que tem que estar no leme”. Uma asneira sem pé nem cabeça, que já não se adequa mais à nossa realidade.
Aqui na minha casa buscamos a harmonia e o equilibrio. Dividimos tudo. Fazemos tudo de comum acordo. Meus filhos são muito felizes por isso: porque têm um pai super presente e que tem uma relação quase tão intensa com eles quanto a minha.
Mas sou contra a cesárea desnecessária. Acho que esse é um ponto no qual o livro toca e que é bom colocar em debate. Milhares de cirugias são feitas neste país para que os bebês venham ao mundo, simplesmente porque é mais prático e fácil – e porque as mulheres têm medo de sentir as dores do parto. O que se esquece de dizer é que o parto normal ainda é mais seguro que qualquer parto cirúrgico – claro, desde que a mulher tenha condições de passar por um parto normal – e que não há necessidade de sentir a dor; para isto é que existe a analgesia no trabalho de parto. Mas veja, eu sou adepta do parto normal porque acredito que é mais seguro e mais saudável para a mamãe e o bebê – e não porque acho que vai ser “mais mãe” quem tem filho de parto normal.
Concordo ainda com você quando diz que mulheres não tão esclarecidas ou que tenham condição financeira mais precária possam se deixar influenciar pelas declaração de Maria Mariana. Ela, por estar na mídia, deveria ter mais cuidado com a maneira como expõe as coisas, e não se expressar como se fosse “dona da verdade”. Mas ela faz assim justamente porque acredita piamente em tudo o que disse e escreveu. Como não ser enfática em uma situação destas?
Parabéns pelo seu texto! Gostei muito, principalmente porque vc escreveu depois de ter lido o livro – acho que faltou este cuidado para a maioria das reações inflamadas na web.
Beijão.
Tiffany Stica Reply:
junho 12th, 2009 at 11:50 pm
Andrea, que frustração a minha em saber que desanimei você a ler o livro, sorry!
A idéia da resenha era justamente o contrário, vc sabe, estimular a leitura, o debate, a reflexão, a troca…
Mas, entendo, quando a vida é corrida a gente prefere ler o que agrega, né?!
Fico orgulhosa de ver a postura que vocês adotam em sua casa, da parceria em planejar, criar e educar os filhos juntos, companheiros… acho mesmo, como você disse, que é esta segurança e estabilidade que irá direcionar os filhos para uma vida plena e feliz.
Agora a divinização do parto natural, da amamentação e afins estão ainda muito recorrentes e por isso temos que conversar, conversar, elucidar, trocar idéias e compreender o que é possível e indicado para cada caso. Nem todas as mulheres são disciplinadas, saudáveis fisicamente, conscientes, para não falar tudo que envolve uma boa gestação e a escolha de como colocaremos nossos filhos no mundo.
Sobre cesáreas desnecessárias, concordo totalmente, devem ser evitadas. Que tal escrevermos um post a 4 mãos sobre o tema?
Fica a idéia. Obrigado por ter vindo colaborar. Um beijo. Ti
Eu não li o livro mas escrevi sobre o assunto (http://futurodopresente.com.br/blog/?p=2027), principalmente sobre as reações que foram até agressivas. Ou seja se a gente não pensa como a maioria, pedras.
Não concordo nem discordo de tudo mas achei muito interessante suas colocações porque levam a sociedade à reflexão no que se refere à criação de filhos, maternidade, paternidade e família.
Beijos, enormes!
Tiffany Stica Reply:
junho 12th, 2009 at 11:25 pm
Ana Cláudia querida, agradeço por ter vindo deixar sua opinião.
Concordo com você. O melhor dessa polêmica acerca do livro que comentamos não são as opiniões radicais de Maria Mariana, mas a importancia de refletirmos sobre a maternidade, a paternidade e o modo com as famílias brasileiras estão se ajustando na sociedade de hoje.
Conversando, refletindo e até discordando crescemos todos.
Um abraço. Ti
Ti, não li o livro mas escrevi sobre as reações da blogosfera em relação às afirmações do livro (http://futurodopresente.com.br/blog/?p=2027). Não concordo, nem discordo de tudo mas acredito ser uma ótima oportunidade para debater a maternidade, a parternidade e a família modernas.
[...] algumas semanas eu escrevi aqui no blog sobre o lançamento do livro Confissões de Mãe, de Maria Mariana e sobre a polêmica que tomara [...]
Não li o livro ainda, mas vou ler. Tenho grande simpatia pela autora, embora discorde das citadas opiniões radicais, dessa postura que para mim também parece ser de “dona da verdade”. Não concordo, mas entendo. Vc diz: “Mas ela faz assim justamente porque acredita piamente em tudo o que disse e escreveu.” Na minha percepção, mais que isso, o posicionamento da autora é o de quem precisa convercer “o mundo” sobre o acerto das suas escolhas. Também abandonei recentemente uma carreira profissional para me dedicar interalmente à família e sei o quanto essa escolha parece tola e absurda para algumas pessoas. Me parece que essa posição meio raivosa da Maria Mariana nada mais é do que uma resposta que ela talvez considere à altura do “patrulhamento” exercido por aqueles que não entendem que hoje uma mulher pode optar por ser esposa e mãe e se sentir realizada e feliz. Aliás, essa é uma questão que merece um debate em particular. Grande beijo Ti.
Tiffany Reply:
novembro 4th, 2009 at 3:58 pm
Andrea, com certeza concordo com você neste ponto em que aponta a intolerância e a cobrança das pessoas (da sociedade) acerca de nossa escolha, como mães, de estar em casa, priorizando o bem estar e o desenvolvimento sadio da vida familiar. Tenho certeza de que muitos que criticam (como deve ter vivenciado a Maria Mariana) a sua escolha, a minha ou a de tantas outras mulheres que abdicam da vida acadêmica universitária ou mais, de uma potencial carreira de sucesso após anos de qualificação e estudo, o fazem sem ter a experiência de vida para isso. Conheço mulheres que não tem filhos ainda porque não querem perder a forma física, outras porque alegam não ter estudado à toa… como se ao tornar-se mãe nosso conhecimento e potencial pudessem ser esquecidos. Desmerecer as escolhas muito bem elaboradas por mulheres que enxergam a família como primeiro plano é preconceituoso e lamentável, não tenho dúvida, mas cada um vê a vida duma forma…
Leia o livro da Maria Mariana, já que você se interessou. Provavelmente irá gostar, como eu, pois é escrito como uma conversa sincera entre mãe e filha, salvo essas ponderações mais enfáticas da autora que deram tanto o que falar.
Acho que me estendi demais na resposta…
Um abraço. Tiffany
Que nada, amiga!!! Adorei sua resposta. Confesso que fiquei meio “tristonha” por vc não ter me respondido por ocasião da postagem do meu comentário, mas entendi. Achei que era assim mesmo, que vc só respondia alguns. Quando entrei no seu blog achei tão legal essa coisa de vc responder os comentários, essa troca com quem te lê e interage. Em geral, os comentários são postados e ponto final. Não existe essa coisa maravilhosa de réplica e tréplica com o autor.
Por isso, nada de ficar preocupada, achando que se estendeu na resposta. Ah! Abaixo
essa ditadura de frases curtas e vazias que caracterizam a internet. Eu também, quando
o assunto me entusiasma, sou verborrágica. Aliás, sou sempre verborrágica, essa é uma
característica que me é inerente. E fico feliz quando tem reciprocidade. Porque, como diz
um amigo, “a gente sabe o que vai em nossas palavras, mas nunca como elas serão acolhidas
dentro dos corações…” É isso mesmo. Eu também não sei. Mas sempre me arrisco. Por vezes me dou mal: o coração ao qual me dirijo não entende, como a me rejeitar. Fico triste, me
sinto solitária. Por isso agora tão feliz por encontrar uma “igual”. PS: Não precisa postar
essa resposta não, é só um tête-à-tête.
Bjs.