Birra! Seu filho também faz?

Posted by @blogdati On março - 10 - 2009 12 Comments

 

Ai, ai, que dor de cabeça temos quando vivenciamos com nossos filhos a tão “malfalada” BIRRA.

bebe-birrentoAssim, com essa mesma imagem ao lado, o site do Bebê (da Editora Abril), está alertando seus “leitores pais” sobre a necessidade e o momento de dizer NÃO para seu filho, agindo contra uma das maiores vilãs do mundo infantil, ela mesma: a birra.

A reportagem me chamou completamente a atenção porque aqui em casa, nosso pequeno CJ (com 1 ano e quase 2 meses) está nos “dando alguns bailes” e fazendo valer os sábios conselhos “dos antigos” sobre como educar em repetidas frases tais como: “Faça isso, não aquilo; você vai ver quando forem seus filhos!”. Como diria minha falecida avó Maria Augusta, a língua é o chicote da bunda… no sentido de que “aqui se faz, aqui se paga”. Eu sei, eu sei… foi feio escrever isso e era feio quando ela dizia, admito, mas que muito das traquinagens que aprontamos quando crianças, nós revivenciamos através dos nossos filhos é verdade e infelizmente, a BIRRA está entre essas peripécias. Mas isso não deve ser interpretado como um “BEM-FEITO” para os pais que foram crianças levadas no passado e sim, um “TUDO BEM” com amor, pra tudo dá-se um jeito!

Não, não digo que BIRRA é brincadeira, pelo contrário. É um teste dos pequenos para conosco pais, pode ser início de sérios problemas comportamentais para suas personalidades e pode levar mães-pais e filhos à loucura e em alguns casos, ao divórcio. Não é nada fácil suportar gritos histéricos, choro, pernas e braços se debatendo no chão quando a criança se joga pra chamar a atenção ou ainda, tudo junto mesmo quando elas estão amparadas no colinho dos pacientes pais e mães.

Quem tem filhos e/ou sobrinhos, saiu para uma passeio em shopping, compras no mercado ou mesmo uma volta no parque e já não viveu esse tipo de situação, vindo a ficar constrangido com os olhares sempre críticos e por vezes comentários maldosos de pessoas próximas?!  

Eu lembro que antes de ter filhos, antes até de querer ser mãe (ainda no início do namoro) olhava consternada para os pais e mães que via em lojas de brinquedos e/ou mercados tentando enfrentar e controlar suas “ferinhas” pensando: “coitados, não sabem educar os filhos ou pior (sim, eu era cruel) que tipo de gente sem noção que não sabe controlar os filhos e impor limites, se são assim porque ter filhos?” Já pensaram? E como diria minha avó, haha, hoje pago pelo que falei porque meu pequeno, apesar de ser maravilhoso em todos os aspectos e de encher minha vida de alegria, está descobrindo o mundo e junto descobrindo que pode “manipular” o papai e a mamãe fazendo choro e gritaria… Sim, os bebês aprender desde cedo a copiar e interpretar os adultos, em muitas situações e rapidamente percebem que a manipulação é uma boa ferramenta para se conseguir algo, é aí que entra o alerta para todos os pais.

menina arteira abrindo cereais no chão imagem de reportagem da Crescer

Na reportagem “Birra: a hora de dizer não para a criança”, do site do bebê, a psicanalista infantil e familiar Anne Lise Scappaticci, aponta: “da mesma maneira que sabem que agradam quando são boazinhas, percebem que podem usar a birra para conseguir o que desejam”

A teima faz parte do comportamento infantil, como uma tentativa de a criança demonstrar certa independência e expressar suas vontades. E aparece por volta de 1 ano e meio de idade. Quando a criança tenta conseguir o que quer através de showzinhos, a dica é dar um pouco de atenção, sem estender a bronca por horas. Você pode dizer que esse “não” é o jeito de conseguir o que ela quer e por causa disso não vai ter mesmo. E não fique assistindo ao espetáculo, a menos que a criança esteja se debatendo e corra o risco de se machucar.

Segundo Vera Iaconelli, psicanalista e coordenadora do Gerar – Instituto de Psicologia Perinantal, se o ataque for muito intenso e você estiver no shopping ou no parque, vale levá-la até o carro para se acalmar e, se for o caso, nem retornar. O problema é acabar com o programa dos irmãos ou da família toda. O ideal é tirá-la do local e mostrar que a birra não levará a nada, que você não mudará de ideia. Vera alerta para outra questão, o excesso de zêlo… “Alguns pais têm tanto pavor da birra que negam tudo, vetando qualquer chance de o filho se revoltar e descobrir por si só o que quer. O equilíbrio está em selecionar o não para coisas realmente importantes, como morder e bater nos outros ou nos objetos, colocar o dedo na tomada, atravessar a rua sem dar a mão.”

imagem de menino chorando do site Getty ImagesCada pai/mãe adota sua própria forma de pedagogia quando se trata de orientar e educar filhos, já que muito da forma como agimos vem dos erros e acertos de quem nos educou, da nossa bagagem pessoal e claro, do conhecimento que buscamos em leituras quase que diárias, mas idependente da família eu sempre defendi e achei que deveria imperar o diálogo, por isso, pelo sim ou pelo não sempre expliquei (e ainda o faço) cada coisa que iremos fazer, onde ir, com quem, com que objetivo e o que é permitido… e justamente nessa linha, me surpreendi quando a reportagem que li aborda as broncas ou sermões, ou seja, o falatório dos pais… 

“Até os 5 ou 6 anos, a criança não consegue manter a concentração nas palavras por mais de 20 ou 30 segundos, diz a psicóloga infantil e terapeuta familiar Suzy Camacho, autora do livro Guia Prático dos Pais, fechando a idéia sobre como ao contrário do falatório o importante é os pais terem em mente a implicação de regras claras para prevenir maus comportamentos dos filhos.

E olhem que interessante (ainda nas palavras da mesma profissional), 

“Se os pais forem coerentes com o que dizem e fazem, terão um filho disciplinado aos 7 anos e deverá seguir assim pelo menos até a adolescência, quando a rebeldia, uma nova forma de birra, ressurge em intensidade variada, dependendo de como a criança vem lidando com as frustrações”.

Vejam que há muito sobre o tema :) Vou buscar mais informações e chamar amigas para opinar sobre este post, deixarem um pouquinho de suas experiências sobre o assunto e acho que assim todo mundo sai lucrando, tendo compartilhado e aprendido um pouco mais, além de provavelmente podermos compartilhar tb a ansiedade sobre o tema, o que, acredito deverá render outros posts neste e em blogs amigos.

E para quem tiver interesse, lembrei de uma outra reportagem que li, na Crescer, que apontava dicas sinceras sobre como lidar com o mau comportamento dos filhos em lugares públicos, como museus, restaurantes, parques, shoppings, mercados ou mesmo na casa de amigos.

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12 Responses so far.

  1. Verônica disse:

    Vou aqui fantasiar um pouco, seja porque ainda nao tenha filhos seja porque tenha ainda uma opiniao lirica sobre os temas de comportamento infantil. E este ultimo ainda nao quer dizer que sempre foi assim. Esta opiniao foi se construindo depois de observar filhos de amigas e amigos. Antes disso, inumeras vezes criticava o comportamento das criancas e as atitudes dos pais em locais publicos, quando presenciava as tais birras. Sugeria sempre que tratava-se de falta de controle. Cabe dizer que nao gosto desta palavra porque dentro do tema de que trata o texto, me remete a ideia de contrato social que nao pode infringido, o tal comportamento social aceitavel. E como doutrinar uma crianca desde cedo… Aquelas com seus um ano e poucos.Criancas que ainda nao podem fazer uso do recurso da fala, que descobrem um novo mundo a cada dia, que em suas saidas e passeios encontram coisas pela primeira vez. Que sim fazem uso dos chorinhos, gritinhos e esperneios para se fazerem entender. Cmo interpretar a birra no sentido teimosia da birra no sentido obstinacao…Concordo com a psicanalista Vera, pais por medo do constrangimento publico tendem a dizer NAO o tempo todo. E desta maneira talvez cercear a capacidade de descoberta do seu filho.

    Tiffany Reply:

    Vero querida, o fato de ainda não ter filhos conta demais para a sua opinião quando a questão é a vivência, mas você é uma pessoa sensível e atenta ao seu redor, interessada no universo infantil e juvenil motivada por seus amigos com filhos, por primos e afilhados menores… quando diz que tem uma visão lírica, não posso negar… mas vá aprendendo com as descobertas de seus amigos já pais e preparando-se para quando a maternidade chegar até você, pois certamente ocorrerá e em alguns pontos as crianças não se diferem tanto assim. Prepare-se. E quanto a cercear as descobertas do filho, acho mesmo que acontece em larga escala… especialmente quando com primogênitos já que “os críticos” estão à solta e os inexperientes pais acabam posando de “desqualificados” mesmo que sejam apenas temerosos, o que permite que a insegurança aflore e assim, punem-se os pequenos… fazer o quê?! Pessoas ao nosso redor, nos cobrem menos, assim a gente libera mais… não falo por mim, mas no modo geral. E claro, sem perder a noção de limites que cada pai entende o melhor para os seus.
    Volte sempre ao blog. Abraços

  2. [...] o segundo vídeo, da edição de hoje – quarta-feira, aborda justamente o tema que comentei no meu post anterior, a BIRRA. E me chamou mais a atenção o trecho em que a profissional convidada a comentar, [...]

  3. Renata disse:

    Ti, acho que esses eventos vão rareando conforme a compreensão e a capacidade de expressar sentimentos da criança evoluem, mas isso vai aos poucos, eu acho. Aqui em casa ainda rola umas birras, mas sinto que hoje ela já compreende bem meus argumentos e fica mais fácil conversar.
    Ela tb nunca foi de fazer muuuuita birra, o que houve foram alguns episódios mais críticos, um deles estávamos nós duas sozinhas almoçando num restaurante de um shopping. Quase morri de vergonha.
    Beijo
    Re

  4. Juliano disse:

    Pior que dizer o “não” é ter que manter a postura, mesmo vendo que o choro
    da criança passa da birra para tristeza após ouvir o não. O jeito é
    esperar, a criança esqueçe e a alegria volta.

    Tiffany Reply:

    Eu sei Juliano, é duro ficar olhando para a carinha de choro e ingenuidade, daquelas que por mais levada que a criança seja, transparecem o pouco entendimento do que se passou, de porque foi repreendida… é fogo.
    Você tem razão, tem que se manter firme sabendo que daqui a pouco o choro passa, a criança esquece e a gente aprende junto… Vamos treinar então!! Um beijo querido!

  5. disse:

    Oi Ti!
    Esse assunto e polêmico, birras, manhas, choros, piraças, revoltas e etc mais que acompanham a fase desses pequenos tesouros, e eu como tenho todas as fases posso te dizer que elas não passam com o tempo, elas tendem a ficar mais complicadas.
    Mas acho que cada criança e um caso, vejo pelos meus, cada um faz e fez uma birra diferente e cada um teve a sua repreenda diferente, ou um não, um castigo, um olhar mais severo, uma bronca e até um tapa na bunda, o que muitos repreendem, mas ah casos em que as vezes se faz necessario um tapa, para que o pequeno volte a si e veja que as coisas não são vencidas com chororos.
    Temos que manter uma postura firme e muitas vezes severa, pois um olhar de ternura apos um não acaba com toda a sua tentativa de educar, ai e onde eles aprendem a vencer nossos limites.
    E a carinha de choro, a frustação vem logo depois e ai temos que ser fortes para olhar nos olhos deles e manter firme a nossa posição.Educar e dificil, mas é um treino dia a dia nosso e deles também.Parabéns pelo post!
    Um beijo Jô

    Tiffany Reply:

    Jo querida. Claro que leio suas palavras pensando na sua larga experiência já que vc é mãe de 5 filhos, escadinha… mais do que ninguém, sabe como me orientar.
    Também acho que uma palmada de vez em quando pode ajudar, mesmo que minha primeira opção seja sempre a conversa franca, a imposição dos limites e esse olhar severo que sei há tempos que vc aplica muito bem… já vi fazê-la isso e parece que funciona.
    Vou pensar nas coisas que vc falou.
    Mas é certo que o mais difícil, como já comentou tb o Juliano, é dizer o “não”e manter a postura diante da frustração da criança, do choro e quem sabe, da mágoa. Dá uma dozinha, uma vontade de pegar no colo, abraçar. E às vezes, até de dar risada… o esquema pelo visto é também aprender a nos controlarmos diante desses desafios educacionais, vejo que não apenas as crianças que precisam aprender diariamente, nós pais aprendemos junto.
    Valeu pela visita, apesar da sua correria de pós-parto. Volte sempre que quiser. Um beijo a todos. Ti

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  7. Ti,
    demorei mas vim!
    Esse assunto é sempre difícil.
    Acho que cada um encontra seu caminho.
    Os momentos de birra, mesmo sendopoucos, quando acontecem, procuro não valorizar muito e até saio de perto.
    Rapidamente a birra acaba e eles vêm ficar perto da gente…
    :0)

    Tiffany Reply:

    Ana, bem vinda querida, com ou sem demora… hehe
    Essa dica de sair de perto e ignorar o choro ou a reclamação é o que mais tenho ouvido, assim deve ser uma das melhores estratégias mesmo.
    Continuo lendo, sempre que posso, algo a respeito e admito que a conversa com as outras mães, pelo blog ou pessoalmente, me animou, porque cada uma com sua experiência, passa pelo mesmo drama e o vence, isso é o que importa!
    Um beijo. Ti

  8. katia disse:

    Bom dia, tenho um filho aqu acabou de completar 3 anos, quando é contráriado em alguma coisa ele simplesmente joga o que tiver pela frente no chão…caso esteja na mesa o que tiver em cima ele joga…grita e chora, não sei mais como lidar com isso, já bati…tentei castigo mas ele não fica…na ultima vez o segurei no castigo quando vi que eu ia desistir e disse a ele que iria contar a té dez antes dele sair..contei até dez e o liberei do castigo…mas aí ele não quis sair…como lidar com este tipo de personalidade? gostaria de umaorientação.
    Obrigada,

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