Mamíferas
Nesta semana vi no blog da Renata a indicação de um outro blog, o Mamiferas, escrito a várias mãos e cujos temas são a mulher e a maternidade… li e me identifiquei. As autoras parecem ter muita opinião, os textos são muito bem escritos e sinceramente, não sei se há está intenção, mas de tão verdadeiros alguns depoimentos chegam a ser bem humorados.
Gostei especialmente dos textos de Kalu sobre a Vitamina S e de Tatá sobre amamentar em público (esse faço questão de comentar num outro post). Kalu começa o texto dela dizendo: “Quando bebê, Miguel mamava demais e sempre regurgitava. Aquela roupinha cheirosa ficava com um cherinho de queijo que até já sinto saudades. Não só a roupa dele, como por vezes a minha também. No começo trocava toda a roupa, sempre tinha uma blusa minha para trocar também. Depois disso, só quando a roupa dele ficava super, mega molhada e fedida é que eu trocava. Daí ele começou a engatinhar. Ficava naquele dilema: quando colocar no chão? Levava um paninho com Álcool para limpar a mãozinha dele que ia direto para boca. Recomendação da vovó que dizia que mão suja causava dor de garganta. Devo ter feito isso algumas vezes e depois desencanei. Lavava a mãozinha dele de vez enquando, principalmente antes das refeições ou de brincar com o cachorro”.
Lendo isso parece que escutei a mim mesma, sabe?! Parece que pude me ver na mesma situação correndo atrás do Caio para limpá-lo e ajeitar tudo em que possa tocar e experimentar sem que fique sujo em demasia, sem que ele suje as coisas e assim por diante. Antes dele chegar, meu marido e eu ficávamos olhando os filhos dos outros, na rua, nos restaurantes e mercados (nossa, em mercado a gente vê cada coisa!), analisando e epois debatíamos: isso nunca vamos deixar um filho fazer… isso é feio, que falta de pulso dos pais… como pode aquilo?… ui, nossa, vc viu?… olha a criança pondo coisa suja na boca!… e por ai vai. Lembro bem de uma situação muito específica, que agora, acredito estar prestes a viver, foi ano passado: uma menininha brincando de esconder-se do pai, num bar/restaurante, agaichada debaixo da mesa e depois rolando de alegria no chão (frio de cimento), rindo, toda suja. A gente se olhou, interagiu com ela, foi testemunha daquele momento feliz e depois comentamos que ela estava naquele chão sujo de Rio de Janeiro, encostando o corpinho (que pelo horáio demoraria um pouco para ver um banho) onde tantos respingos de cerveja e comida já tinham caído… a gente pensou em como, quando chegasse nossa vez, agiríamos… e confesso, ainda pensamos, prestes a acontecer cenas assim, ainda ficamos no dilema: deixar a criança limpa/protegida/impecável ou deixar sujar-se e viver feliz?
Na verdade, como eu e meu querido marido somos muito frescos com sujeira talvez a gente até exagere, mas além de tirarmos (e pedirmos que todos que entrem em casa tirem) os calçados na porta, nós tb temos tentando manter o chão o mais limpo possível, na tentativa de manter um piso limpo para o Caio engatinhar. Isso porque, quem tem filho sabe, a criança não engatinha sempre com a cabecinha erguida, às vezes pára, lambe o chão, pára, senta, põe as mãozinhas na boca, prova coisas que achou pelo caminho e assim por diante. Ou seja, ficam expostas ao mundo exterior e toda a sua sujeira, mesmo contra a nossa vontade, aí a preocupação (e muitas vezes um olhar de contrariedade são inevitáveis. É nesta hora que, acredito, nós (pais e demais cuidadores) devamos afastar o excesso de sujeira assim como o perigo, mas sem privar os pequenos da experiência de tocar, lamber, mexer e aprender com o chão, com seus movimentos e o universo ao seu redor.
A gente sonha, idealiza filhos limpinhos, retratos de propagandas (e os temos até uns 15 min depois do banho) para brincarem felizes e tudo sair perfeito, mas a verdade é que temos que dar liberdade a eles, controlar as neuroses e deixar rolar. E olhem que quando digo isso, o faço com a consciência e auto-crítica de mãe que todos os dias sofre ao ver as mãos melecadas de papinha subirem ao rosto, sujarem babador, roupa, cabelo e cadeirão na hora das refeições…
P.S. não, meu post não teve patrocínio de OMO! hahaha
E pra finalizar, tenho que considerar a frase que mais me chamou a atenção no post da Kalu: seu filho está exposto a vitamina S de Sujeira, mas tb vitamina S de sorriso. Adorei!
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Ti,
Que legal este post!!! Fiquei lendo e lembrando o quanto sou desencanada em relação ao quesito “se sujar”… Já o Adriano era super encanado, meio neurótico até. Mas tenho tanta coisa a comentar que é melhor escrever um post hehehe.
Adorei a dica do blog Mamíferas!:)
Que bom Andrea, obrigado pela visita… vamos nos comunicando. Um beijo
Ti, obrigada pela visita, volte quando quiser, não fechamos nunca e atualizamos todos os dias!
bjinhos
Tata, do mamíferas
[...] nos restaurantes, quando os pequenos querem sentar no chão e a gente pouco consegue fazer contra. Postei a respeito logo depois de ler texto compartilhada pelas Mamíferas, do blog homônimo, em que elas falavam algo [...]